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Insegurança jurídica e coronavírus: as bolsas nesta quinta

Às vésperas do feriado de ano novo chinês, os principais índices de ações da Ásia fecharam em queda — Xangai teve o maior recuo, de 2,75%

Luiz Fux (TSE/Divulgação)

Luiz Fux (TSE/Divulgação)

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Da Redação

Publicado em 23 de janeiro de 2020 às 06h54.

Última atualização em 23 de janeiro de 2020 às 11h13.

São Paulo — O vai e vem sobre os impactos do coronavírus deve continuar dando o tom dos mercados nesta quinta-feira. Ontem, uma aparente pronta resposta das autoridades chinesas foi tida por investidores e analistas como suficiente para segurar o risco de uma epidemia, o que ajudou a impulsionar o Ibovespa em 1,17% e fez o dólar cair para 4,17 reais. Nos Estados Unidos e na Ásia, os principais índices fecharam perto do zero a zero.

Nesta quinta-feira, porém, o pânico voltou (ao menos às bolsas asiáticas). Às vésperas do feriado de ano novo chinês, os principais índices de ações da Ásia fecharam em queda — Xangai teve o maior recuo, de 2,75%. A China deve ter 3 bilhões de viagens internas e externas na próxima semana, o que pode ajudar a espalhar o vírus.

O governo já confirmou 600 vítimas e 17 mortes. Para segurar a propagação, isolou a cidade de Wuhan, de 9 milhões de habitantes, origem do coronavírus.

As festividades de ano novo foram suspensas por lá, e o transporte público foi suspenso. No Brasil, autoridades têm versões contraditórias sobre um caso suspeito identificado em Belo Horizonte, ontem. A Organização Mundial de Saúde adiou para hoje a decisão se decreta ou não o coronavirus uma emergência global.

Ainda no pacote internacional, a divulgação de uma nova estratégia anual para o Banco Central Europeu, sob comando de Christine Lagarde, pode trazer medidas para aumentar a inflação no continente, que insiste em ficar abaixo das metas de 2%. A determinação mais firme de impulsionar os preços (e a economia) europeia pode ajudar a trazer as bolsas globais para cima.

No Brasil o que pode influenciar os investidores é um problema pra lá de conhecido: a insegurança jurídica. O ministro Luiz Fux, que assumiu na segunda-feira provisoriamente a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) durante o recesso, suspendeu nesta terça-feira a aplicação da regra do juiz de garantias, prevista na Lei Anticrime.

Semana passada, o presidente da Corte, Dias Toffoli, tinha dado prazo de seis meses para a medida entrar em vigor. Agora, não há mais prazo. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), classificou a medida como “desrespeitosa” com o Congresso.

O ministro da Justiça, Sergio Moro, por sua vez, reafirmou ser contra o juiz de garantias e elogiou a decisão de Fux. A nova troca de farpas entre os poderes tira o foco de uma pesquisa favorável ao governo, publicada ontem, indicando aumento na avaliação positiva de Jair Bolsonaro, de 29% para 34%.

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