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'Infraestrutura vai liderar economia do Brasil', diz CEO de BNP Paribas

O setor está amadurecendo com o apoio do setor privado e com uma regulação cada vez mais favorável ao investimento

Ricardo Guimarães: CEO do BNP Paribas aposta que a economia continuará bem no próximo ano guiada pelo setor de infraestrutura. (BNP Paribas/Divulgação)

Ricardo Guimarães: CEO do BNP Paribas aposta que a economia continuará bem no próximo ano guiada pelo setor de infraestrutura. (BNP Paribas/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 3 de dezembro de 2025 às 10h01.

Última atualização em 4 de dezembro de 2025 às 09h06.

Apesar da Selic num patamar de dois dígitos, a economia brasileira termina 2025 resiliente, em um bom momento para as ações das empresas nacionais. A avaliação é do CEO do BNP Paribas, Ricardo Guimarães, que aposta que a economia continuará bem no próximo ano, guiada pelo setor de infraestrutura.

“E isso independe do cenário político. A agenda de infraestrutura está muito forte no Brasil”, afirma.

Guimarães cita os setores de saneamento, infraestrutura digital, transporte e energia, com novas oportunidades surgindo para o setor privado, com o apoio do governo e o fortalecimento de modelos como concessões e Parcerias Público-Privadas (PPPs).

Um dos pontos fortes do Brasil quando se fala de infraestrutura, segundo o CEO do banco, é a robustez de suas agências reguladoras e a estabilidade institucional. “O país possui uma das melhores regulações da América Latina, trazendo confiança aos investidores, tanto locais quanto internacionais”, opina.

Além disso, a saída de grandes conglomerados de infraestrutura após a Operação Lava Jato abriu espaço para uma nova dinâmica no mercado. Empresas globais agora veem o Brasil como uma oportunidade para trazer não só capital, mas também tecnologia e expertise internacional para a execução de projetos de grande porte.

“A concorrência internacional traz um mix interessante, que permite a inovação com a adaptação local. Pode custar um pouco mais caro, um pouco mais barato, dependendo das condições fiscais que o Brasil vai ter em 2026, mas é uma agenda que vai acontecer de qualquer jeito”, afirma Ricardo Guimarães.

Para realizar um IPO, segundo o CEO da BNP Paribas, a empresa precisa ser grande, ter escala e estar em um dos setores que hoje recebem “muito apoio” do governo — um bingo para as companhias de infraestrutura.

Setores como saneamento têm se destacado nesse cenário, sendo considerados um bom caminho para investidores em busca de bons retornos, apesar dos desafios que envolvem o alto custo de capital.

“A atratividade persiste mesmo com o custo elevado no Brasil graças, novamente, à regulamentação brasileira, que resolve essa questão e garantindo que o ativo remunere bem o investidor”, explica, acrescentando que a demanda por esse tipo de serviço é estrutural e só tende a crescer com o tempo.

Nova janela de IPO?

Para os executivos do banco, há uma expectativa que a nova janela de IPOs possa se abrir no próximo ano. No entanto, pode haver um atraso de alguns trimestres por conta da reforma tributária, que trouxe um cenário nebuloso sobre a tributação de dividendos.
“Esse movimento de ajuste e a necessidade do mercado começar a entender exatamente como a nova regra de dividendo funciona (visto que ela é complexa) é um processo que pode atrasar o surgimento dessa janela”, afirma.
Afinal, as empresas terão que analisar sua base de capital e definir a melhor estrutura, o que geralmente implica em um movimento de ter mais dívida e menos equity, dentro do possível, para otimizar a eficiência para o shareholder.
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