Ibovespa: referência acionária encerrou o pregão desta quarta-feira, 12, em queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 17h37.
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira, 12, em queda de 0,23%, aos 167.491,07 pontos, após oscilar entre a mínima de 167.141,82 e a máxima de 168.309,55 pontos. O índice chegou a ensaiar uma recuperação durante a sessão, mas perdeu força ao longo da tarde, após a forte queda de 2,5% registrada na terça-feira, 11, em meio à piora da percepção sobre o risco doméstico.
O volume financeiro somou R$ 24,2 bilhões em uma sessão marcada pelo vencimento de índice futuro e pelo exercício de opções sobre o Ibovespa.
O dólar à vista também acelerou a alta perto do fechamento. A moeda americana terminou o dia em alta de 0,36%, a R$ 5,179, após oscilar entre R$ 5,137 e R$ 5,181. O movimento ocorreu apesar do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos ter vindo em linha com as expectativas, em meio à continuidade da saída de investidores estrangeiros da bolsa brasileira.
Segundo dados da B3, os estrangeiros retiraram R$ 7,2 bilhões das ações brasileiras em agosto até o dia 10. Na semana passada, entre 3 e 7 de agosto, o fluxo cambial total ficou positivo em US$ 652 milhões, mas houve uma saída de US$ 2 milhões pela conta financeira.
No mercado acionário brasileiro, a Vale (VALE3) avançou 0,74% e ajudou a limitar a queda do índice. Já as ações da Petrobras fecharam em baixa. O papel ordinário (PETR3) recuou 0,50% e o preferencial (PETR4) caiu 0,45%.
Entre os grandes bancos, o desempenho foi negativo. Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,46%, enquanto os demais bancos também terminaram a sessão no vermelho, com exceção das units do Santander (SANB11), que subiram 0,34%.
Entre as maiores altas do Ibovespa, a Embraer (EMBJ3) liderou, com avanço de 4%, seguida por CSN Mineração (CMIN3), que subiu 3,95%, e Gerdau (GGBR4), com alta de 2,98%.
Na ponta negativa, Braskem (BRKM5) despencou 7,80%. Direcional (DIRR3) caiu 4,72%, enquanto Totvs (TOTS3) recuou 4,15%. C&A (CEAB3) perdeu 3,34% e Azzas (AZZA3) caiu 2,70%.
No exterior, o CPI americano de julho trouxe algum alívio aos mercados. O índice de preços ao consumidor subiu 0,1% no mês, em linha com as expectativas, e acumulou alta de 3,4% em 12 meses, ante 3,5% em junho. O núcleo, que exclui alimentos e energia, avançou 0,2% em julho e desacelerou de 2,6% para 2,5% na comparação anual.
Para Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue, o dado veio em um momento importante para as expectativas sobre a política monetária americana. Nas últimas semanas, o mercado vinha discutindo inclusive a possibilidade de uma alta dos juros pelo Federal Reserve. Na reunião de 29 de julho, três dirigentes do Fed divergiram e votaram por uma elevação das taxas.
“Esse dado de inflação sem surpresas, somado ao payroll mais fraco de sexta-feira, tira um pouco da pressão sobre o Fed”, afirma Benvenuto.
Segundo a coordenadora da Avenue, essa mudança já aparece nas expectativas para a reunião de setembro. A ferramenta FedWatch, da CME, passou a indicar cerca de 60% de probabilidade de manutenção dos juros, ante 46% há uma semana. Um mês atrás, o mercado atribuía mais de 51% de chance de uma alta em setembro e ainda precificava quase 19% de probabilidade de uma elevação de 0,5 ponto percentual.
“Essa possibilidade de alta de 0,5 ponto percentual saiu completamente do preço. Agora, resta uma chance de aproximadamente 40% de aumento de 0,25 ponto percentual”, diz.
Com a redução da pressão sobre o Fed no curto prazo, parte da discussão começa a migrar para dezembro. Nos mercados de juros, o alívio ficou concentrado na ponta curta da curva. O Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, recuou para perto de 4,20%, enquanto o título de 30 anos permaneceu em torno de 5,25%.
“Ou seja, aumentou a diferença entre os juros de curto e de longo prazo, com o mercado exigindo mais prêmio nos vencimentos mais longos por causa da inflação ainda acima da meta e do tamanho do déficit americano”, explica Juliana.
O mercado também se prepara para o leilão de títulos de 30 anos do Tesouro americano, marcado para quinta-feira, 13. Segundo a especialista, a operação deve sair com uma das maiores taxas de financiamento dos últimos 25 anos.
As bolsas americanas terminaram o dia em alta, apoiadas pelo CPI e pelo desempenho das empresas ligadas à inteligência artificial. O Nasdaq avançou 0,54%, aos 26.588,49 pontos, enquanto o S&P 500 subiu 0,26%, aos 7.748,50 pontos. O Dow Jones recuou 0,04%, aos 53.770,27 pontos.
Para Juliana, a liderança voltou a ser das ações ligadas à inteligência artificial, com balanços de empresas como CoreWeave e Super Micro reforçando a percepção de que a demanda por infraestrutura de IA permanece firme.
Durante a sessão, a CoreWeave chegou a subir cerca de 18%, enquanto a Supermicro avançou 17%. A holandesa Nebius registrou alta superior a 27%, enquanto Micron e Dell tiveram ganhos entre 6% e 7%.
Fora do setor de tecnologia, o destaque ficou com a Endesa, que avançou após o Financial Times informar que a Trian, de Nelson Peltz, prepara uma oferta para fechar o capital da companhia.
Após disparar nas duas últimas sessões, os contratos futuros de petróleo terminaram a quarta-feira praticamente estáveis. O mercado continua monitorando o impasse entre Estados Unidos e Irã sobre as condições de navegação e o controle do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas para o transporte mundial de petróleo.
A média de cinco dias do tráfego de navios no estreito ficou em cerca de 13 embarcações na terça-feira, próxima do menor nível em três meses, segundo dados da Kpler. O Irã mantém a posição de que não pretende permitir a reabertura total da passagem enquanto os Estados Unidos não atenderem às suas exigências.
Enquanto isso, o secretário de Energia americano, Chris Wright, afirma que empresas privadas estariam subestimando o número de navios que continuam transitando pela região.
No fechamento, o Brent para outubro subiu 0,08%, a US$ 88,98 por barril, enquanto o WTI para setembro também avançou 0,08%, a US$ 83,27.“O tráfego de navios está em uma média de aproximadamente 13 travessias, quase o menor nível dos últimos três meses e cerca de 90% abaixo do registrado antes da guerra”, afirma Benvenuto.