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45 novos bilionários em um ano: como a inteligência artificial criou uma nova elite bilionária (Unsplash/Reprodução)
Jornalista
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 17h14.
A lista de bilionários da Forbes de 2026 ganhou 45 nomes novos. O ponto em comum entre eles é a origem da riqueza: empresas ligadas direta ou indiretamente à inteligência artificial. Um ano atrás, quase ninguém conhecia esses nomes.
Juntos, esses bilionários somam uma fortuna combinada que ultrapassa US$ 2,9 trilhões, valor que rivalizaria com a quinta maior economia do mundo. O grupo reúne perfis bem diferentes: donos de infraestrutura de chips, fundadores de laboratórios de IA generativa e empreendedores de nichos aplicados, como direito e recrutamento.
Jensen Huang começou lavando pratos em uma lanchonete por menos de três dólares a hora. Em 1993, cofundou a NVIDIA, companhia que passou duas décadas concentrada em placas gráficas para videogames antes de se tornar a base de hardware da IA moderna.
Hoje a fortuna de Huang gira em torno de US$ 166 bilhões, segundo a Bloomberg, e a NVIDIA é avaliada em mais de cinco trilhões de dólares na bolsa, a empresa mais valiosa do mundo. Cerca de 97% do patrimônio do executivo está em ações da própria companhia, o que liga diretamente sua fortuna pessoal ao desempenho do setor.
Outro nome dessa safra é Alexandr Wang, que fundou a Scale AI aos 19 anos, empresa dedicada à rotulagem de dados usados para treinar modelos de IA. Em 2025, a Meta comprou 49% da Scale AI por US$ 14,3 bilhões, e Wang passou a liderar a área de inteligência artificial de Mark Zuckerberg. Sua fortuna pessoal é estimada em cerca de US$ 3,2 bilhões, segundo a Forbes.
Dario Amodei foi vice-presidente de pesquisa da OpenAI antes de discordar dos rumos do desenvolvimento da tecnologia. Ele e sua irmã, Daniela Amodei, deixaram a empresa e fundaram a Anthropic, que em 2026 concluiu uma rodada de investimento que elevou sua avaliação a US$ 965 bilhões, segundo a Bloomberg. A fortuna pessoal de Dario Amodei é estimada em US$ 15,5 bilhões pela Forbes.
Já Sam Altman, à frente da OpenAI desde a fundação, ilustra um caso atípico no setor. Segundo reportagens da Bloomberg, a empresa protocolou pedido de abertura de capital com avaliação de US$ 852 bilhões, mas Altman afirma não deter ações da companhia e recebe salário anual declarado de US$ 76 mil.
Sua fortuna, estimada em cerca de US$ 3,5 bilhões, vem majoritariamente de investimentos feitos antes da OpenAI, como Reddit, Stripe e Airbnb. Isso mostra que, mesmo dentro da liderança dos laboratórios mais influentes da IA, cargo e patrimônio pessoal nem sempre caminham juntos, dependendo de como cada fundador estruturou sua participação societária.
Nem todos os novos bilionários vêm de gigantes como OpenAI ou NVIDIA. Uma segunda leva de empreendedores aplicou IA a setores específicos e também entrou na lista da Forbes em 2026:
Segundo o Índice Bloomberg de Bilionários, 19 novos milionários ligados à IA surgiram apenas no último ano, somando US$ 59,3 bilhões em patrimônio. O movimento já não se concentra só em chips ou modelos de larga escala, mas também em startups menores com clientes reais e margens crescentes.
O crescimento acelerado dessas fortunas tem relação direta com a demanda por profissionais capacitados em IA. Segundo o Barômetro de Empregos de IA 2026, levantamento da PwC com mais de um bilhão de anúncios de vagas em seis continentes, o número de vagas brasileiras que exigem competências em IA saltou de 63 mil para 182 mil em um ano.
Essas oportunidades já representam 3,6% do total de vagas no país, ante 1,1% em 2024. O setor de tecnologia, mídia e telecomunicações lidera essa demanda, segundo o mesmo levantamento.
Para quem acompanha esse cenário, alguns pontos práticos ajudam a entender onde estão as oportunidades: