Ibovespa perde marca dos 100 mil pontos com fiscal e temor de recessão

Bolsas internacionais recuam em meio a preocupações de alta de juros e possíveis consequências para a economia global
Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)
Painel de cotações da B3 (Germano Lüders/Exame)
Beatriz Quesada
Beatriz Quesada

Publicado em 29/06/2022 às 10:37.

Última atualização em 29/06/2022 às 13:44.

Ibovespa hoje: o principal índice da bolsa brasileira recua nesta quarta-feira, 29, acompanhando o cenário misto nas bolsas internacionais. No exterior, investidores ficam cautelosos com a ameaça de recessão, com as bolsas europeias operando em queda e os índices americanos perto da estabilidade. 

Mais cedo, Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed, banco central americano), voltou a defender que o país está preparado para enfrentar o endurecimento da política monetária. Ainda assim, investidores temem que a elevação das taxas para conter a inflação desacelere a economia, levando a uma eventual recessão. 

Durante o Fórum do Banco Central Europeu (BCE), em Sintra (Portugal), Powell admitiu que há possibilidade de o Fed exagerar no aperto monetário, caso a inflação caia mais rapidamente do que o esperado.

Na Europa, a inflação também preocupa. A escalada dos preços atingiu um novo recorde na Espanha nesta manhã, onde a inflação de 12 meses subiu 10,2% em junho, no valor mais alto desde 1985. A expectativa é que o dado pressione o Banco Central Europeu a se juntar ao Fed, tomando medidas mais duras para conter a inflação.

  • Dow Jones (Nova York): + 0,06%
  • S&P 500 (Nova York): - 0,54%
  • Nasdaq (Nova York): - 0,67%
  • Stoxx 600 (Índice pan-europeu): - 0,55%

No cenário local, a preocupação é a PEC dos Combustíveis, apresentada no Congresso hoje. O texto final confirma que serão gastos R$ 38,75 bilhões fora do teto de gastos por meio de decreto de calamidade, que permite a criação de novos gastos mesmo em ano eleitoral. 

“O relator decidiu abandonar o texto da proposta, que inicialmente buscava reduzir o preço dos combustíveis, e resgatou uma PEC que vai trazer um custo fiscal muito maior para o Brasil. É algo que traz a bolsa para baixo, os investidores ficam preocupados com a gastança do governo", avaliou Gabriel Meira especialista da Valor Investimentos.

A proposta aumenta o valor do Auxílio Brasil  de R$ 400 para R$ 600, implementa o auxílio caminhoneiro de R$ 1 mil para para 870 mil autônomos e eleva o auxílio-gás bimestral para R$ 120 A expectativa é que a PEC seja votada ainda hoje no Senado.

“O Ibovespa já estava pressionado com declarações do Fed. Mas as ações de commodities que estavam segurando o índice, viraram para o negativo com a aprovação da PEC. É uma forma de driblar as regras que deixa a situação fiscal em alerta. E o investidor reage negativamente sempre que isso acontece”, completou Rodrigo Marcatti economista e CEO da Veedha Investimentos.

O cenário negativo se firma mesmo com notícias positivas no campo macroeconômico.O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), conhecido como “inflação de aluguel”, subiu 0,59% na comparação mensal e 10,70% no acumulado de 12 meses. Os números vieram abaixo da projeção do consenso do mercado, que apontava para uma alta de 0,70% em junho e de 10,83% na comparação anual.

Destaques de ações

As ações de commodities, que vinham sustentando o Ibovespa nas duas últimas sessões, hoje operam em queda e ajudam a dar o tom negativo do índice. O minério de ferro voltou a cair na China, derrubando as ações da Vale (VALE3). Já o petróleo opera em leve queda no mercado internacional, e o risco fiscal aprofunda as quedas para os papéis da Petrobras (PETR3/PETR4).

Apenas 10 das 91 ações do Ibovespa operam em alta. Entre elas estão os papéis da Cyrela (CYRE3), que anunciou nesta quarta-feira, 29, o lançamento de um programa de recompra de ações. Também sobem as ações da Eletrobras (ELET3/ELET6), que tiveram recomendação de compra reforçada em relatório do UBS.

Fora do Ibovespa, Oi (OIBR3) sobe quase 2%, com investidores reagindo ao balanço do primeiro trimestre da companhia. A receita já havia sido reportada na última semana, então o balanço não surpreendeu. Considerando apenas os ativos que ficarão sob a gestão dessa nova Oi, a empresa teve receita líquida de R$ 2,5 bilhões nos três primeiros meses do ano, com Ebitda de R$ 614 milhões.