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Saldo de janeiro: Ibovespa fecha mês em alta de 3,4% e dólar cai a R$ 5,07

Bolsa abre 2023 em terreno positivo junto com commodities e apetite global ao risco

Painel de cotações na B3 (Germano Lüders/Exame)

Painel de cotações na B3 (Germano Lüders/Exame)

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Guilherme Guilherme

Publicado em 31 de janeiro de 2023 às 10h43.

Última atualização em 31 de janeiro de 2023 às 18h26.

O Ibovespa encerrou seu primeiro mês de 2023 no positivo. O principal índice da bolsa brasileira subiu 3,4% em janeiro, em uma alta mais branda do que seus pares globais. 

O impulso positivo veio da alta no preço das commodities aliada a uma queda da inflação global. Os ganhos, no entanto, foram segurados pelas quedas no setor bancário e por ruídos políticos.

Em seu último pregão do mês, o Ibovespa subiu 1,03%.

  • Ibovespa (diário): - 1,03%, aos 113.431 pontos
  • Ibovespa (mensal): + 3,37%, aos 113.431 pontos

Mês das commodities 

O mês de janeiro foi bastante positivo para o mercado de commodities, com todas as atenções voltadas para a China. Nos primeiros dias do mês, o gigante asiático anunciou a suspensão das quarentenas para viajantes internacionais, pondo fim a três anos de isolamento para combate à covid-19.

A reabertura da segunda maior economia do mundo renovou o apetite pelas commodities, com o mercado apostando no aumento da demanda – e consequentemente do preço das matérias-primas. O minério de ferro disparou 11% na bolsa de Singapura e registrou alta mensal de 2% na bolsa de Dalian.

Ações ligadas ao minério, como CSN Mineração e CSN ficaram entre as maiores altas da bolsa no mês, com ganhos próximos de 30%.

Viés comprador dos Estados Unidos

Também ajudou o fluxo comprador dos investidores estrangeiros. O apetite a risco cresceu no exterior após dados mostrarem o arrefecimento da inflação. No mais recente, dados sobre índice de custo de emprego saíram abaixo do esperado, com elevação de 1% no quarto trimestre ante consenso de 1,1% de alta. No trimestre anterior, a alta foi de 1,2%. Também houve desaceleração nos benefícios ao trabalhador, que caiu de 1% oara 0,8% de alta no quarto trimestre.

A expectativa do mercado é que o ritmo de ajuste monetário diminua nos Estados Unidos na próxima reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), cuja decisão será divulgada amanhã. 

De olho na decisão, as bolsas de Wall Street fecharam em alta perto de 1%. No mês, o S&P 500, índice mais famoso do mercado americano, subiu 6%, em seu melhor janeiro desde 2019.

A expectativa também ajudou o real, com o dólar fechando janeiro em queda de quase 4%. “Foi um mês não só de apreciação do real, mas de perda de força do dólar em relação a outras moedas. A divisa americana reagiu à perspectiva de que o Fed deve abrandar o ritmo de alta de juros”, Patrícia Krause economista chefe Latin América da Coface. 

  • Dólar comercial (mensal): - 0,80%, a R$ 5,073
  • Dólar comercial (mensal): - 3,88%, a R$ 5,073 

Juros e ruídos políticos no Brasil

Por aqui, investidores também estão atentos ao Comitê de Política Monetária (Copom), que divulga sua decisão de política monetária amanhã após o fechamento do mercado. Embora a perspectiva seja de manutenção da Selic a 13,75% no Brasil, a expectativa dos analistas é de um foco maior nas perspectivas da inflação.

A projeção do Boletim Focus para o índice oficial de inflação, o IPCA, saltou de 5,48% para 5,74%, contra 5,31% há um mês. O novo cenário foi divulgado ontem, a dois dias da próxima decisão de política monetária.

A alteração no consenso dos economistas ouvidos pelo Focus veio após uma surpresa com o IPCA-15 de janeiro, que veio acima das expectativas. Pesaram ainda os temores fiscais e a preocupação com os questionamentos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à autonomia do Banco Central, ao nível de juros e à meta inflacionária

As preocupações ajudaram a segurar a alta do Ibovespa no mês.

Bancos e varejistas afetados pela Americanas (AMER3)

Outro fator que diminuiu a alta do índice foram as quedas no setor bancário. Os bancos entraram em tendência negativa com a descoberta de inconsistências contábeis de R$ 20 bilhões nas contas da Americanas (AMER3) na segunda semana de janeiro. 

A empresa entrou em recuperação judicial e segue em disputa com os bancos brasileiros, que estão entre seus principais credores. A grande preocupação dos analistas é que a crise na varejista atrapalhe os resultados dos bancões

Hoje, as ações dos bancos subiram em correção frente às quedas recentes. Os papéis que seguem entre os mais afetadas são de BTG Pactual (BPAC11) e Bradesco (BBDC4), que caíram até 9,9% no acumulado do mês.

  • BTG Pactual (BPAC11): - 9,86%
  • Bradesco (BBDC4): - 7,13%
  • Itaú (ITUB4): + 1,32%
  • Santander (SANB11): + 2,73%
  • Banco do Brasil (BBAS3): + 16,56%

As varejistas, por outro lado, dispararam com a possibilidade de ganhar o mercado da concorrente em crise. A maior beneficiada foi a Magazine Luiza (MGLU3), que saltou mais de 60% no mês. Já a Americanas, fora do Ibovespa, amargou baixa de X%.

  • Magazine Luiza (MGLU3): + 61,68%
  • Americanas (AMER3): - 82,49%
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