Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 18h12.
Última atualização em 5 de fevereiro de 2026 às 18h47.
O Ibovespa conseguiu se recuperar parcialmente do tombo de 2,14% registrado na sessão anterior — a pior queda diária em quase dois meses. Nesta quinta-feira, 5, o principal índice acionário da B3 chegou a subir mais de 1% e tocou os 184.017 pontos na máxima do dia. No entanto, perto do fim do pregão, perdeu força e se afastou dos níveis mais elevados, encerrando com alta modesta de 0,23%, aos 182.127 pontos.
Dos 84 papéis que compõem a carteira teórica do índice, 41 fecharam em alta, 17 ficaram estáveis e 26 terminaram o dia em queda.
A recuperação do Ibovespa foi parcialmente limitada pelo desempenho negativo de ações de peso. Os papéis da Vale (VALE3) recuaram 3,33%, registrando a segunda maior queda do dia, enquanto Petrobras também pressionou o índice: as ações ordinárias (PETR3) caíram 1,43% e as preferenciais (PETR4), 1,39%.
Ainda assim, o avanço do índice foi sustentado pela recuperação de parte do setor bancário. As ações do Itaú (ITUB4) lideraram os ganhos do dia entre os bancões, com alta de 2,02%, após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025.
Para Pedro Ros, CEO da Referência Capital, o movimento do Ibovespa reflete uma leitura mais construtiva sobre o cenário doméstico à frente. "O Ibovespa em alta sinaliza que parte do mercado começa a antecipar um ambiente mais favorável, com juros em trajetória de queda e maior previsibilidade", afirma.
Segundo ele, o contexto ainda exige cautela. "A perspectiva é de um mercado mais seletivo, no qual ativos que geram renda recorrente e oferecem proteção contra a volatilidade tendem a ganhar espaço em meio a um cenário ainda instável".
Entre as maiores altas do pregão, o destaque ficou com as ações da MRV (MRVE3), que avançaram mais de 6%. Na sequência, apareceram Vamos (VAMO3), com alta de 6,28%, e Cury (CURY3), que subiu 3,71%.
Na avaliação de Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, a perda de fôlego do Ibovespa perto do encerramento esteve ligada principalmente ao movimento do câmbio e dos juros futuros.
"O mercado começou a precificar com mais intensidade a força do dólar durante a tarde. Quando o dólar sobe, a percepção de risco aumenta e o investidor estrangeiro tende a reduzir posições em ações locais, sobretudo nos setores mais sensíveis a esse fluxo", disse.
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou a sessão em leve alta de 0,08%, cotado a R$ 5,254. Ao longo do dia, a moeda americana oscilou entre a mínima de R$ 5,23 e a máxima de R$ 5,28. O movimento acompanhou parcialmente o fortalecimento global do dólar, com o índice DXY avançando 0,22%.
O avanço da moeda ocorreu em um ambiente internacional de maior cautela, impulsionado por novos sinais de enfraquecimento do mercado de trabalho americano, fator que contribuiu para a aversão a risco observada nos mercados globais.
Segundo Cecco, um segundo fator relevante foi técnico. "Alguns níveis importantes de resistência foram testados, e investidores que acumularam ganhos ao longo do dia aproveitaram para realizar lucros antes do fechamento", afirmou. Esse tipo de comportamento, explica, é típico de pregões com baixa direção definida, marcados por forte volatilidade intradiária.
O especialista destaca ainda a influência do cenário externo no fim do pregão. "No mesmo horário em que a Bolsa brasileira perdeu força, os índices americanos passaram a operar de lado ou em leve queda, reforçando uma correlação de curto prazo entre os mercados emergentes e Wall Street, o que pesa bastante no último bloco do dia".
No exterior, o ambiente foi claramente adverso ao risco. As principais bolsas de Nova York encerraram o pregão em forte queda, pressionadas por dados mais fracos do mercado de trabalho dos Estados Unidos, pela continuidade da correção das ações de tecnologia e pela queda do mercado de cripto. O Dow Jones recuou 1,20%, o S&P 500 caiu 1,23% e o Nasdaq registrou baixa de 1,59%.
O índice de volatilidade VIX, conhecido como “índice do medo”, disparou 16,79%, alcançando 21,77 pontos, após chegar a subir mais de 20% ao longo do dia. As ações de tecnologia permaneceram sob pressão pelo terceiro pregão consecutivo.