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Ibovespa fecha em baixa com pressão do exterior, mas sobe 13% no mês

Apesar da queda nas últimas duas sessões, o principal índice da B3 também avançou 1,40% ao longo da semana

Ibovespa nesta sexta, 30: 84 papéis que compõem o Ibovespa, 39 terminaram em baixa, 27 ficaram estáveis e 18 registraram alta (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)

Ibovespa nesta sexta, 30: 84 papéis que compõem o Ibovespa, 39 terminaram em baixa, 27 ficaram estáveis e 18 registraram alta (Patricia Monteiro/Bloomberg via/Getty Images)

Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 18h39.

Última atualização em 30 de janeiro de 2026 às 18h40.

O Ibovespa encerrou esta sexta-feira, 30, em queda de 0,97%, aos 181.363,90 pontos, em um pregão marcado por realização de lucros e pressão das ações ligadas a commodities metálicas, especialmente da Vale (VALE3). Apesar do recuo no dia, o principal índice da B3 fechou janeiro com valorização expressiva de 12,97%, após subir quase 21 mil pontos desde a primeira sessão do ano, em 2 de janeiro.

No fechamento, dos 84 papéis que compõem o Ibovespa, 39 terminaram em baixa, 27 ficaram estáveis e 18 registraram alta, refletindo um pregão de viés majoritariamente negativo.

Entre os principais fatores de pressão esteve o desempenho das siderúrgicas e mineradoras. As ações da Vale (VALE3), que têm peso superior a 11% na composição do índice, recuaram 3,54% desde os primeiros negócios do dia e contribuíram de forma relevante para a queda do Ibovespa.

Na ponta positiva, algumas ações de varejo conseguiram sustentar ganhos, como a Vivara (VIVA3), que avançou 3,11%, a maior alta do dia.

Os papéis da Copasa (CSMG3) também figuraram entre os destaques após avanços recentes relacionados ao processo de desestatização.

Nesta semana, a companhia informou ter recebido do governo de Minas Gerais, seu acionista controlador, os documentos com a modelagem da proposta de privatização e as alterações necessárias em seu estatuto social. Na véspera, o conselho de administração aprovou a conversão das ações ordinárias do governo estadual em uma golden share.

Indicação de Trump ao Fed no radar

No cenário externo, os mercados seguiram atentos à indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed), anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O nome ainda precisa ser confirmado pelo Senado, em um ambiente de debate sobre a independência do banco central americano e o ritmo futuro dos juros.

Para Paula Zogbi, estrategista-chefe da Nomad, a escolha de Warsh reforça uma percepção de maior credibilidade institucional. Segundo ela, embora o ex-diretor do Fed defenda cortes de juros, seu histórico mais hawkish reduz o risco de captura política da autoridade monetária.

"Para o Brasil e emergentes, o impacto pode ser de pressão via dólar forte e yields globais mais altos no curto prazo, com a projeção de juros caindo mais lentamente. Mas o mais importante é que a escolha de Trump baixa o tail risk político e pode levar a um repricing global de taxas mais saudável para o longo prazo", disse Zogbi.

Já Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, avalia que Warsh não é um nome disruptivo e tende a manter a tradição do Fed. Segundo ele, a indicação foi interpretada como relativamente mais hawkish do que outros nomes cogitados, o que pode limitar cortes mais agressivos de juros ainda em 2026.

No mercado doméstico, Cruz destaca que o movimento de realização em commodities metálicas teve impacto direto sobre o Ibovespa.

"Há uma realização de lucros um pouco mais forte nas commodities metálicas e isso tem impactado aqui dentro também, nas empresas mineradoras, nas empresas do setor", afirmou.

Na mesma linha, Gabriel Cecco, especialista da Valor Investimentos, aponta que o recuo da Bolsa reflete tanto o cenário externo quanto a digestão dos recordes recentes do índice.

"Os mercados acionais mundiais, em geral, recuaram nos últimos dias, puxados por resultados de tecnologia nos Estados Unidos e incertezas políticas. Isso acaba refletindo, não tem jeito, em mercados emergentes como o Brasil", disse.

"Em resumo, um movimento global negativo e a realização de lucro para os recordes são os principais indicadores que a gente enxerga", completou.

Para Danilo Coelho, especialista em investimentos e MBA em Finanças pela FBNF, o movimento desta sexta-feira representa uma realização considerada normal, após a forte alta acumulada nas últimas semanas.

"O que vemos no Ibovespa hoje é mais um movimento de realização, nada muito relevante. Estamos com uma queda dentro do que é normal para o índice, na casa de 1% a 2%", afirmou.

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