(Patricia Monteiro/Bloomberg)
Repórter
Publicado em 5 de janeiro de 2026 às 18h45.
Última atualização em 5 de janeiro de 2026 às 18h48.
Depois de oscilar entre estabilidade e queda na primeira hora de negociações, o Ibovespa ganhou força ao longo da sessão e encerrou o pregão desta segunda-feira, 5, em alta de 0,83%, aos 161.869 pontos, no segundo pregão do ano e na primeira semana cheia de negociações de 2026.
Do total de 83 ações que compõem o índice, 52 fecharam em alta, 13 ficaram estáveis e 18 recuaram, em um dia marcado por desempenho positivo de ações de peso como Vale (VALE3) e grandes bancos, apesar da pressão exercida pelas petrolíferas.
Os papéis de MRV (MRVE3) e Cyrela (CYRE3) lideraram os ganhos do dia, dando continuidade à valorização observada desde o ano passado.
Outro destaque positivo foi a Embraer (EMBJ3), que manteve o avanço observado desde a abertura e fechou com alta de 4,85%.
Segundo Lucas Girão, economista e especialista em investimentos, o movimento reflete uma rotação de fluxo para empresas dos setores aeroespacial e de defesa, diante do aumento das tensões geopolíticas globais com a invasão dos Estados Unidos à Venezuela no sábado, 3.
"Esse efeito setorial funciona como um catalisador imediato para o papel, especialmente em um dia em que investidores buscam empresas com contratos de longo prazo e maior previsibilidade de receita", afirmou Girão.
Além do efeito conjuntural, o economista destaca fatores estruturais da companhia, como a carteira de pedidos robusta, a diversificação entre aviação comercial, executiva e defesa, e a forte exposição ao mercado norte-americano, que ampliam a previsibilidade de receitas e sustentam o desempenho do papel.
O avanço do índice também contou com a alta das ações da Vale e dos grandes bancos, que, por terem peso relevante na composição do Ibovespa, ajudaram a impulsionar o indicador e a limitar perdas mais expressivas em outros setores.
Na ponta negativa, as ações da Petrobras (PETR3 e PETR4) que recuaram 1,67% e 1,94%, acompanhadas por outras empresas do setor de petróleo e energia, como Prio (PRIO3), Brava Energia (BRAV3) e Vibra (VBBR3), em um movimento que contrastou com a alta do petróleo no mercado internacional ao longo do dia.
Segundo Luis Castro da Fonseca, sócio-fundador da Nest Asset Management, o mercado segue atento aos desdobramentos da situação na Venezuela, tanto do ponto de vista geopolítico quanto, principalmente, pelos impactos potenciais sobre a oferta global de petróleo.
Na avaliação do gestor, apesar de o preço do petróleo ter subido no curto prazo, a perspectiva de médio e longo prazo é de pressão sobre a commodity, diante da possibilidade de retomada gradual da produção venezuelana, que detém as maiores reservas de petróleo do mundo.
Essa expectativa ajuda a explicar o desempenho negativo das ações da Petrobras, mesmo em um dia de alta do barril. "O mercado começa a precificar um cenário em que a Venezuela volte, aos poucos, a ser um player relevante, o que aumenta a oferta global e pressiona os preços no futuro", afirma Fonseca.
Na mesma linha, Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital, avalia que a captura de Nicolás Maduro elevou a incerteza e a volatilidade no curto prazo, mas que, no médio e longo prazos, um aumento da produção venezuelana pode derrubar os preços do petróleo, afetando negativamente as margens das petrolíferas.
Ainda assim, ele destaca que a Petrobras possui um diferencial importante, com um dos menores custos de extração do mundo, o que tende a limitar os impactos mais severos.
No cenário externo, as Bolsas de Nova York fecharam em forte alta, impulsionadas sobretudo pelo setor de energia.
O Dow Jones subiu 1,23%, enovando recorde de fechamento da sexta, 2, enquanto o S&P 500 avançou 0,64% e o Nasdaq teve alta de 0,69%. As ações de grandes petroleiras americanas, como Chevron, Exxon Mobil e SLB, lideraram os ganhos, beneficiadas pela leitura de que empresas dos EUA podem sair fortalecidas com os desdobramentos da crise venezuelana.
Para o mercado brasileiro, segundo Fonseca, o bom desempenho dos mercados emergentes no exterior segue sendo um vetor importante de suporte à Bolsa.