Painel de cotações da B3 | Foto: Germano Lüders/Exame (Germano Lüders/Exame)
Repórter
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 18h32.
Última atualização em 6 de janeiro de 2026 às 18h49.
O Ibovespa encerrou as negociações nesta terça-feira, 6, em forte alta, pela segunda sessão consecutiva, impulsionado pelo desempenho positivo da Vale (VALE3) e dos papeís de grandes bancos, de peso na composição do índice. A referência acionária do mercado brasileiro avançou 1,11%, aos 163.663 pontos.
A alta da bolsa foi sustentada por um ambiente favorável a ativos de risco, ainda que os investidos mantenham no radar o monitoramento dos desdobramentos da invasão dos Estados Unidos na Venezuela, que depôs o presidente Nicolás Maduro.
Nesse cenário, as ações da mineradora avançaram cerca de 3,76%, acompanhando a valorização do minério de ferro, que voltou a ganhar tração no mercado internacional e deu suporte relevante ao desempenho do índice.
Grande parte dos papéis do setor bancário também operaram em alta. As units, cesta de preferenciais e ordinárias, do BTG Pactual (BPAC11) avançaram 1,32%; as ações ordinárias, com direito a voto, do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 1,10%.
As preferenciais, com prioridade no recebimentos dos dividendos, do Bradesco (BBDC4) e do Itaú (ITUB4) registraram ganhos de 0,60% e 0,58%, respectivamente. A exceção foram as units do Santander (SANB11), que anotaram ligeira queda de 0,06%.
Segundo Rodrigo Moliterno, head de renda variável da Veedha Investimentos, o movimento positivo dos bancos já se repete pelo segundo pregão consecutivo e está inserido em um contexto mais amplo de recuperação da bolsa brasileira, que abriu o primeiro pregão do ano em queda de 0,36%.
"O setor bancário, pelo segundo dia consecutivo, a gente tem visto ele numa performance positiva. A Bolsa como um todo vem tendo uma recuperação. Acho que sexta-feira, o primeiro dia do ano, foi um dia talvez atípico, um pouquinho de realização, volume baixo", afirmou o operador em referência a queda de 0,36% do índice no primeiro pregão do ano, na sexta, 2.
Para Moliterno, apesar de o volume ainda estar reduzido, o ano começa com uma visão mais construtiva, especialmente do ponto de vista econômico, com a expectativa de início do ciclo de corte de juros.
A liderança do pregão, porém, ficou com os papéis da Hapvida (HAPV3), que subiram 8,70%, com o papel entrando e saindo de leilão ao longo do dia.
O movimento ocorreu apesar de dados negativos divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em referência ao mês de novembro. Naquele mês, a operadora voltou a registrar perdas relevantes de beneficiários, sobretudo na região Metropolitana de São Paulo, reforçando a leitura de cautela dos analistas para o desempenho no quarto trimestre.
A Hapvida registrou perda líquida de 18 mil beneficiários em novembro, acumulando queda de 35 mil no trimestre até o momento, sinal que pode ser interpretado como uma indicação mais fraca para o resultado do quarto trimestre de 2025 da operadora.
O BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME) avaliou, contudo, que a Hapvida registrou perdas concentradas em São Paulo, mas parcialmente compensadas por ganhos no Distrito Federal.
Já na laterna do pregão ficaram as ações da Vivara (VIVA3), que estenderam as perdas da sessão passada ao caírem hoje 3,19%. O desempenho no pregão contrasta com os ganhos obtidos pelo papel em 2025, quando subiu quase 82% e ficou entre as 10 maiores altas do Ibovespa no ano.
"Acredito que seja uma realização de lucro, já que em 2025 ela subiu bastante. Não da mesma magnitude que a C&A, lojas Renner, que tiveram a notícia de um quarto trimestre mais fraco", afirmou Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
As ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) voltaram a cair na tarde desta terça e fecharam o dia com recuo de quase 2% depois de terem ensaiado uma recuperação ao longo do pregão.
O tombo tem por trás o incidente operacional na Bacia da Foz do Amazonas e a queda dos preços internacionais do petróleo.
Mais cedo, a Petrobras informou que suspendeu temporariamente as atividades de perfuração na Bacia da Foz do Amazonas após detectar um vazamento de fluido em tubulações auxiliares. O incidente ocorreu no domingo, 4, durante operações no poço Morpho, localizado a cerca de 175 quilômetros do litoral do Amapá.
Já os contratos futuros do petróleo fecharam em queda, devolvendo os ganhos da véspera. O petróleo tipo Brent, referência mundial, com vencimento em março teve queda de 1,71%, cotado a US$ 60,70 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE).
Enquanto o WTI, observado pelos EUA, caiu 2,04%, a US$ 57,13 por barril, o contratao de fevereiro, na New York Mercantile Exchange (Nymex).