Agenda do mercado: os investidores acompanham uma série de indicadores capazes de calibrar as expectativas para a economia e para a trajetória dos juros no Brasil (Getty Images)
Repórter
Publicado em 29 de junho de 2026 às 05h30.
Os mercados iniciam esta segunda-feira, 29, atentos a uma agenda carregada de indicadores no Brasil e no exterior, enquanto investidores seguem monitorando a escalada das tensões no Oriente Médio, que voltou a colocar o petróleo e a geopolítica no centro das atenções. Depois de uma semana positiva para os ativos brasileiros, a expectativa é entender se o bom humor visto no último pregão terá força para continuar diante de um cenário internacional mais incerto.
Na sexta-feira, o Ibovespa encerrou o dia em alta de 0,79%, aos 173.295 pontos, acumulando valorização de 2,95% na semana, impulsionado principalmente pelas ações dos grandes bancos. Já o dólar à vista caiu 0,20%, para R$ 5,1676, praticamente estável no acumulado semanal.
As ações da Petrobras, por outro lado, ficaram pressionadas pela forte queda do petróleo na sessão anterior — movimento que pode ser revertido nesta segunda diante da deterioração do cenário geopolítico no Golfo Pérsico.
No Brasil, os investidores acompanham uma série de indicadores capazes de calibrar as expectativas para a economia e para a trajetória dos juros.
Logo cedo, às 8h, a Fundação Getulio Vargas (FGV) divulga o IGP-M de junho, além das sondagens dos setores de serviços e comércio. Meia hora depois, o Banco Central publica a Nota de Política Monetária e Operações de Crédito de maio e a nova edição do Relatório Focus, que reúne as projeções do mercado para inflação, PIB, câmbio e taxa Selic.
Ao longo do dia, o Tesouro Nacional também divulga o resultado primário do Governo Central referente a maio, dado importante para acompanhar a situação das contas públicas.
No campo político, outro evento pode atrair a atenção dos investidores. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança, às 9h30, um programa de incentivo para consumidores que mantêm suas dívidas em dia, iniciativa que vem sendo chamada de "Desenrola Adimplentes". A cerimônia contará com a participação do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Enquanto isso, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa da reunião anual do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Suíça.
No cenário internacional, o dia também reserva indicadores relevantes. Na Europa, serão divulgados os dados de confiança do consumidor da zona do euro e a inflação da Espanha. À tarde, investidores acompanham um discurso da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária europeia.
No Reino Unido, outro destaque é a fala de Huw Pill, integrante do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra.
Já durante a noite, a atenção se volta para a Ásia. O Japão divulga sua taxa de desemprego e os números da produção industrial, enquanto a China publica o índice PMI composto de junho, indicador importante para medir o ritmo da atividade da segunda maior economia do mundo.
Além disso, investidores acompanham uma possível decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre a permanência de Lisa Cook na diretoria do Federal Reserve (Fed), após o presidente Donald Trump anunciar, no ano passado, sua demissão.Se a agenda econômica promete movimentar os mercados, o principal fator de risco continua sendo o Oriente Médio.
O fim de semana foi marcado por uma nova escalada entre Estados Unidos e Irã. Após Washington bombardear instalações militares iranianas no sábado, 27, Teerã respondeu com novos ataques contra alvos ligados às forças americanas e intensificou sua ofensiva diplomática e militar em torno do Estreito de Ormuz, principal corredor marítimo para o transporte global de petróleo.
A tensão aumentou ainda mais depois que um petroleiro foi atingido por um projétil enquanto cruzava o estreito. Embora não tenha havido vítimas, o episódio levou autoridades marítimas internacionais a elevar o nível de alerta para embarcações que operam na região.
No domingo, o governo iraniano voltou a advertir que embarcações não devem utilizar rotas diferentes daquelas estabelecidas por Teerã, afirmando que qualquer tentativa de desvio poderá ampliar ainda mais as tensões. O país também realizou ataques contra bases americanas no Kuwait e no Bahrein, enquanto os Estados Unidos responderam com uma nova ofensiva aérea contra alvos militares iranianos.
O receio dos investidores é que uma deterioração adicional do conflito afete o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, passagem por onde transita cerca de um quinto de toda a produção mundial da commodity. Caso os riscos ao abastecimento aumentem, o petróleo pode voltar a subir, com reflexos sobre inflação, juros e mercados globais ao longo da semana.