FedEx volta às origens: foco em entregas internacionais (Getty Images/Getty Images)
Repórter de Mercados
Publicado em 7 de janeiro de 2026 às 18h22.
Última atualização em 7 de janeiro de 2026 às 21h26.
A FedEx iniciou o processo de encerramento das suas atividades no transporte doméstico no Brasil. A decisão foi comunicada a clientes e parceiros e faz parte de um reposicionamento estratégico da multinacional no país diante das "dinâmicas de mercado", segundo nota.
A gigante, que é listada na Bolsa de Nova York (Nyse), atuava no Brasil com entrega rápida tanto para clientes corporativos, quanto para consumidores finais. Da Bahia a São Paulo, não era incomum encontrar caminhões com o logo da marca estampado. Agora, ela segue por aqui, mas ligando o país a outros territórios no exterior.
No Brasil, a empresa passa a focar exclusivamente em serviços internacionais e soluções de supply chain, onde atua com armazéns em pontos estratégicos, voltados à armazenagem, gestão de estoques e última milha. A reestruturação preserva essa área, considerada essencial para o suporte logístico de clientes corporativos com operações complexas.
A operação nacional será encerrada gradualmente, com um período de transição até 6 de fevereiro de 2026. Até lá, a empresa manterá as coletas e realizará as entregas já contratadas. A medida inclui a desmobilização de estruturas operacionais e o desligamento de colaboradores ligados ao serviço expresso nacional.
A mudança no Brasil segue uma linha adotada em outros mercados onde a empresa vem ajustando sua presença conforme os resultados operacionais e a viabilidade do modelo local.
Leia a nota na íntegra:
Como parte dos nossos esforços contínuos para fortalecer a rede global da FedEx e responder proativamente às dinâmicas do mercado, decidimos concentrar nossas operações no Brasil no transporte internacional – tanto aéreo quanto rodoviário – e em serviços de supply chain, incluindo POS (máquinas de cartão de crédito). Essas áreas continuam sendo essenciais para conectar nossos clientes no Brasil e nos mercados globais.
A FedEx permanece totalmente comprometida com o cumprimento de todas as obrigações contratuais e com a prestação de um serviço confiável aos seus clientes, bem como em apoiar empresas em todo o país com soluções logísticas e de supply chain confiáveis, seguras e eficientes que refletem os mais altos padrões da FedEx.
A presença da FedEx no Brasil começou em 1989, com a aquisição da Flying Tigers, empresa de transporte aéreo que operava no país. Na época, a atuação era voltada exclusivamente a serviços internacionais, alinhada à estratégia global de expansão da companhia para a América Latina, Oriente Médio e Ásia.
A virada para o mercado doméstico aconteceu em 2012, com a compra da Rapidão Cometa, então uma das maiores operadoras logísticas do Brasil. A aquisição ampliou a capilaridade da FedEx e permitiu integrar modais rodoviário e aéreo em uma única rede nacional de entregas.
Com a incorporação da infraestrutura da Rapidão Cometa — incluindo, à época, 17 mil clientes, uma frota de 770 veículos, 145 centrais de distribuição e quase nove mil funcionários — a FedEx passou a atender mais de 5 mil localidades no país.
Fred Smith, o fundador da FedEx, teve a ideia para a companhia enquanto era estudante na Universidade de Yale, escrevendo um trabalho acadêmico propondo uma maneira revolucionária de entregar remessas sensíveis com velocidade maior.
Ele fundou a empresa como Federal Express em 1971, em Little Rock, Arkansas, e iniciou suas operações em Memphis dois anos depois, com 389 funcionários e 14 aeronaves, entregando 186 pacotes para 25 cidades dos Estados Unidos. A empresa cresceu de forma constante nos 50 anos seguintes, comprando seus primeiros sete cargueiros Boeing 727 após dois anos de lobby que levaram o Congresso a desregulamentar o transporte aéreo de carga.
Depois, a FedEx também adquiriu uma série de outras empresas, tanto internacionalmente quanto com serviços terrestres nos Estados Unidos, criando a unidade FedEx Ground, que transportava a maior parte de seus produtos por caminhão e vans de entrega, além da FedEx Freight, que lidava com remessas de carga em paletes por caminhão.
A empresa também comprou os centros de cópias Kinko’s e os rebatizou como locais da FedEx Office.
“Éramos uma pequena startup e tivemos nossa cota de céticos. Mas aquela primeira noite de operações iniciou o que se tornaria um conector global de pessoas e possibilidades que mudaria o nosso mundo para melhor”, disse Smith em uma carta aos funcionários da FedEx anunciando sua aposentadoria como CEO, em 2022.
Depois de deixar o cargo de CEO, Smith continuou a servir como presidente executivo da FedEx. Em 2025, morreu, aos 80 anos.