Fluxo estrangeiro: 2025 reverteu saldo negativo de 2024 (Auris/Thinkstock)
Editor de Invest
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 14h19.
Após um período marcado por volatilidade e retirada de recursos, o investidor estrangeiro voltou a assumir posição compradora no mercado acionário brasileiro. Em 2025, as entradas superaram as saídas e o fluxo externo fechou positivo em R$ 25,5 bilhões na B3, calcula o Itaú BBA em relatório.
O dado contrasta com 2024, quando o saldo ficou negativo em mais de R$ 24 bilhões. E reforça um sentimento de interesse retomada do interesse pelo Brasil, ainda que com oscilações ao longo do ano. Em dezembro, por exemplo, houve saída líquida, mas insuficiente para alterar o saldo positivo do período.
Além disso, o fluxo estrangeiro de 2025 ainda é inferior à entrada líquida de R$ 56 bilhões em 2023 e nem chega perto dos R$ 120 bilhões de 2022.
O movimento dos estrangeiros se deu em um contexto de desempenho relativamente favorável do mercado brasileiro e de maior seletividade global com mercados emergentes. O relatório mostra que, mesmo com episódios de aversão a risco, o fluxo externo manteve-se positivo no acumulado do ano, sustentando parte relevante da liquidez da Bolsa.
Enquanto os estrangeiros voltaram às compras, o investidor local apresentou comportamento mais heterogêneo.
No agregado, o fluxo doméstico foi pressionado pela atuação dos investidores institucionais, que seguiram reduzindo exposição à renda variável e foram vendedores líquidos (vendas superaram compras) em R$ 44,6 bilhões.
Dentro do mercado local, a pessoa física aparece como contraponto. O relatório indica que o investidor individual foi comprador líquido ao longo de 2025 em R$ 7,5 bilhões.
Nos fundos de ações, os resgates superaram as aplicações em R$ 54,5 bilhões no ano passado — é o pior saldo negativo em ao menos 15 anos. Já os fundos de renda fixa registraram aportes líquidos de R$ 78,8 bilhões no período, o que se justifica pela Selic a 15%.
Mesmo com um resgate recorde, os ativos sob gestão na indústria de fundos brasileira voltou a crescer, somando R$ 661 bilhões.