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Embraer despenca mais de 15% após acordo com Boeing falhar

Operação de US$ 4,2 bi previa a venda de 80% da produção de aeronaves comerciais e uma joint venture para aviões militares.

 (Paulo Whitaker/Reuters)

(Paulo Whitaker/Reuters)

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Guilherme Guilherme

Publicado em 27 de abril de 2020 às 12h32.

Última atualização em 27 de abril de 2020 às 15h41.

A decepção com o cancelamento da venda de 80% de seu segmento de aeronaves comerciais para a Boeing teve reflexos negativos nas ações da Embraer. O acordo, de 4,2 bilhões de dólares, também previa uma joint venture para a fabricação de aviões militares. Sem uma gigante por trás da fabricante brasileira de aviões, os papéis da Embraer chegaram a desabar 16,34% nas mínimas do dia. Às 12h, o ativo caía 12,44% e era negociado por 7,25 reais.

A parceria, que vinha sendo desenhada desde 2018, foi descartada neste fim de semana, com a desistência da Boeing. Segundo a empresa americana as “condições materiais” para que a fusão saísse do papel não foram concluídas a tempo pela Embraer. O prazo para que a operação fosse concretizada era até a última sexta-feira, 24. Já a Embraer alega que cumpriu todas as exigências e que o motivo para o rompimento das negociações foi a “falta de vontade da Boeing”. Caso a tese seja comprovada, a empresa brasileira pode receber uma indenização de 100 milhões de dólares.

A quantia pode servir para cobrir os 485 milhões de reais gastos para atender à demanda da operação, que envolvia a separação das atividades de aviação comercial do restante da produção da empresa e a mudança de sua sede.

Luis Sobral, analista de empresas da Guide Investimentos, ressalta que, sem a parceria, o futuro da Embraer fica mais difícil. “Sem a Boeing, que poderia dar um maior apoio financeiro, a Embraer vai ter que se sustentar com suas próprias pernas em um momento delicado para a aviação”, disse.

Com a desistência da Boeing, a possibilidade de outra empresa internacional adquirir as operações da Embraer foi sondada pelo presidente Jair Bolsonaro.

Neste caso, analistas do banco UBS veem como mais provável a Embraer se aproximar da indústria de aviação chinesa do que de outra gigante ocidental, como a Airbus. “Acreditamos que a China ainda aspira a uma posição de liderança aeroespacial global e, em nossa opinião, a Embraer traria tanto o talento em design quanto em desenvolvimento [das aeronaves]”, afirmaram em relatório. 

Embora considere a notícia do cancelamento do acordo como “bem negativa” para a Embraer, Sobral acredita que a Boeing fez a escolha certa, independente do motivo da desistência. “O cenário é conturbado e o valuation mudou. Não é o momento de grandes operações. Questões jurídicas a parte, foi uma decisão sensata em termos financeiros.”

Na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE, na sigla em inglês), as ações da Boeing eram negociadas com leve queda de 0,5%. 

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