Invest

Dona da Louis Vuitton é pressionada no setor de luxo com peso da guerra no Irã

Queda nas vendas na região derruba crescimento e ações acumulam forte baixa em 2026

Louis Vuitton: resultado fraco acende alerta no mercado. (CFOTO/Future Publishing /Getty Images)

Louis Vuitton: resultado fraco acende alerta no mercado. (CFOTO/Future Publishing /Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 14 de abril de 2026 às 10h05.

Priorizar nos meus resultados Google

A guerra no Irã tem pesado em diferentes mercados ao redor do mundo, desde o petróleo até o consumo de luxo — caso da principal marca deste mercado, a LVMH, dona da Louis Vuitton, Dior e outros grandes nomes.

A LVMH divulgou uma prévia operacional com receita de 19,12 bilhões de euros e crescimento de apenas 1% no primeiro trimestre — abaixo do esperado por analistas, que previam um desempenho mais forte.

Na bolsa de Paris, as ações caíram 2,4% nesta terça-feira, 14, e acumulam uma queda de 27% no ano. O montante é o pior começo desde 1989, superando até períodos como a pandemia e a crise de 2008.

Guerra pesa nas vendas

O principal problema não foi a demanda global, mas sim o impacto regional do conflito. O Oriente Médio responde por cerca de 6% das vendas da empresa.

A diretora financeira da companhia, Cécile Cabanis, relatou que a procura por produtos da companhia caiu entre 30% e 70% em março, dependendo da loja e da categoria.

No total, isso tirou um ponto percentual (p.p.) do crescimento da empresa no trimestre.

"O que ainda não vimos foi a repatriação de riquezas, e o que sabemos é que a riqueza não desapareceu, então chegará o momento em que veremos isso acontecer, provavelmente em outros lugares, e mitigaremos o impacto, caso o conflito continue", detalhou Cabanis.

A divisão mais importante da LVMH — moda e artigos de couro — teve queda de 2% nas vendas. Sem o efeito do conflito, o desempenho teria sido praticamente estável, segundo a própria empresa. Ao mesmo tempo, outras áreas ajudaram a segurar o resultado.

Relógios e joias cresceram 7%, enquanto o varejo — que inclui redes como a Sephora — avançou 4%. Já perfumes e cosméticos ficaram estáveis, e vinhos e destilados tiveram leve alta.

Mesmo assim, o grupo segue apostando em mudanças nas marcas, incluindo novas lideranças criativas. E, apesar da pressão no Oriente Médio, outras regiões tiveram desempenho melhor.

As vendas cresceram 3% nos Estados Unidos e 7% na Ásia (excluindo o Japão), sinalizando que o problema é mais localizado do que estrutural. Ainda assim, Europa e Japão recuaram, com menos força para o turismo.

Mercado com cautela

Após o balanço, bancos revisaram suas projeções para a LVMH, com cortes nos preços-alvo, de acordo com dados compilados pela CNBC.

O Bernstein reduziu sua estimativa de 685 euros para 600 euros, mas manteve recomendação de compra. O Citibank cortou de 664 euros para 621 euros, também mantendo visão positiva. Já o Jefferies fez o ajuste mais agressivo, de 610 euros para 510 euros.

Mesmo com os resultados deste trimestre sendo superiores ao último ano, "isso provavelmente não será suficiente para convencer os investidores a tomarem uma decisão definitiva", disse o analista da Bernstein, Luca Solca.

Alguns ainda veem potencial de recuperação, enquanto outros acreditam que o cenário pode continuar pressionado, dependendo da duração da guerra e dos efeitos sobre turismo e consumo global.

Hoje, as ações da LVMH já são negociadas com desconto em relação aos concorrentes, o que é incomum para uma empresa que historicamente valia mais que o setor.

Todavia, a pressão não é só na LVMH. Outras gigantes do luxo também caíram: a Richemont cedeu cerca de -20% e a Hermès, recuou 25%. O movimento indica que o problema é mais amplo e afeta todo o setor europeu de luxo.

Para analistas, a LVMH virou mais do que uma empresa de luxo. Ela, hoje, funciona como um indicador da confiança global. Quando ela sofre, o mercado entende que o consumo de alto padrão pode estar em risco.

A análise das fontes da CNBC indicou, ainda, que o impacto chegou até ao patrimônio do CEO Bernard Arnault, que perdeu mais de US$ 55 bilhões no trimestre, segundo ranking de bilionários.

Acompanhe tudo sobre:Louis VuittonLuxoGuerras

Mais de Invest

Ibovespa reage com Petrobras e bancos após três quedas seguidas; dólar cai

Tesla mostra carro voador após promessa de 10 anos. Ação pode decolar junto?

Somos os mais preparados para capturar vendas da Casas Bahia, diz VP do Magalu

Curitiba terá mais de 2 mil apartamentos preparados para aluguel por temporada no Airbnb