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Crise no luxo: dona da Louis Vuitton tem pior início de ano da história

Guerra no Oriente Médio e desaceleração do consumo de luxo pressionam a gigante francesa LVMH

LVMH: Guerra teve efeito pior que o da Covid sobre ações da empresa (Winhorse/iStock/Getty Images)

LVMH: Guerra teve efeito pior que o da Covid sobre ações da empresa (Winhorse/iStock/Getty Images)

Ana Luiza Serrão
Ana Luiza Serrão

Repórter de Invest

Publicado em 3 de abril de 2026 às 12h00.

As ações da LVMH, dona da Louis Vuitton, Dior e Tiffany & Co, tiveram o pior início de ano desde 1989. Os papéis caíram 28% no primeiro trimestre com a queda do consumo de luxo devido ao conflito no Oriente Médio.

O recuo é mais intenso do que em crises recentes, como a pandemia de covid-19 e a crise financeira de 2008, e coloca a empresa entre as maiores perdas do setor de luxo europeu no período, segundo fontes consultadas pela Bloomberg.

O diretor de investimentos da Cité Gestion, John Plassard, afirmou que a LVMH passou a funcionar como um indicador mais amplo do mercado e resumiu o cenário de incerteza em meio às preocupações.

"A LVMH deixou de ser apenas uma ação de luxo e passou a funcionar como um termômetro da confiança global."John Plassard, diretor de investimentos da Cité Gestion

"A questão não é a exposição ao Oriente Médio em si, mas o que ela sinaliza: incerteza, pressão sobre o efeito riqueza e receio de desaceleração mais ampla", disse à Bloomberg.

Guerra e consumo

O conflito elevou a incerteza sobre inflação, crescimento e renda. Consumidores mais sensíveis à economia reduzem gastos, impactando diretamente empresas como a LVMH.

Viagens internacionais são uma fonte relevante de vendas para o setor de luxo, e a redução no fluxo de turistas também limita a receita.

A chefe de análise de bens de consumo da Morningstar, Jelena Sokolova, afirmou à agência que investidores já estão reavaliando os efeitos da guerra no Irã, especialmente sobre o consumo nos Estados Unidos (EUA).

No início do ano, a companhia apresentou uma perspectiva mais fraca, o que aumentou a cautela do mercado.

A LVMH tem ainda exposição a outros segmentos pressionados, como vinhos e destilados, que enfrentam queda de demanda há cerca de três anos.

Antes da escalada do conflito, o Oriente Médio representava cerca de 6% da receita, segundo estimativas do RBC, apesar de sinais de crescimento indicados anteriormente pela diretora financeira Cécile Cabanis.

Reprecificação e impacto

Com a desvalorização, a ação passou a ser negociada com desconto de cerca de 20% em relação aos concorrentes, revertendo um histórico de prêmio.

Os papéis também caíram para abaixo de 20 vezes o lucro esperado para os próximos 12 meses, um nível que vinha servindo como referência para investidores.

Mas não é só a LVMH que sofre no setor, o movimento ocorre na Richemont, que recuou cerca de 20% em Zurique, enquanto a Hermès perdeu cerca de um quarto de seu valor de mercado no período.

A queda também afetou a fortuna do CEO Bernard Arnault, que encolheu US$ 55,4 bilhões no primeiro trimestre, para cerca de US$ 152,5 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index. Trata-se da maior perda entre os 500 mais ricos do mundo no período.

A companhia deve divulgar os resultados do primeiro trimestre ainda neste mês, com foco na divisão de moda e artigos de couro.

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