Israel, Estados Unidos e Irã estão em guerra (FADEL itani / AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 14 de abril de 2026 às 11h56.
Última atualização em 14 de abril de 2026 às 11h59.
A guerra no Oriente Médio deve frear a economia global em 2026, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). Em relatório divulgado nesta terça-feira, 14, o organismo reduziu a previsão de crescimento mundial para 3,1%, queda de 0,2 ponto percentual em relação à estimativa anterior.
A revisão reflete, principalmente, os efeitos do conflito sobre o mercado de energia. O aumento dos preços do petróleo tende a pressionar a inflação global, projetada agora em 4,4%; 0,6 ponto acima do previsto em janeiro.
O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, afirmou que o cenário base considera uma guerra de duração limitada, com impactos temporários. “Nossas previsões de referência são baseadas em um conflito relativamente curto, com uma perturbação temporária do mercado de energia que desapareceria no próximo ano”, disse à AFP.
Segundo ele, antes da escalada do conflito, havia expectativa de revisão para cima das projeções. “Mas antes da guerra, estávamos nos preparando para revisar as nossas previsões de alta para até 3,4%”, afirmou. O economista também alertou para riscos crescentes: “A cada dia que passa e a cada dia em que temos mais perturbações energéticas, deslizamos para uma situação mais adversa”.
O FMI destaca que os efeitos da guerra não são homogêneos. Países emergentes e em desenvolvimento devem enfrentar pressões inflacionárias mais intensas, enquanto economias avançadas tendem a convergir mais rapidamente para níveis próximos de 2% até 2027.
A região do Oriente Médio, Norte da África e Ásia Central é a mais afetada: a projeção de crescimento foi reduzida à metade. A Arábia Saudita, por exemplo, teve sua projeção revisada para 3,1% neste ano, 1,4 ponto percentual abaixo da estimativa anterior.
Na zona do euro, a expansão prevista caiu para 1,1%. Alemanha deve crescer 0,8% e França, 0,9%. Já a Espanha mantém desempenho mais robusto, com alta de 2,1%, apesar da revisão negativa.
Os Estados Unidos aparecem como menos impactados diretamente pelo conflito. O crescimento da economia americana será de 2,3% em 2026, 0,1 ponto percentual a menos do que o previsto na publicação anterior, divulgada em janeiro.
Em um cenário mais adverso, com prolongamento da guerra, o crescimento global poderia cair para 2%, em nível comparável a momentos de crise, como 2008 e 2020.
Entre os países emergentes, o impacto tende a ser mais limitado nas principais economias. A China deve crescer 4,4%, com leve revisão negativa de 0,1 ponto. A Índia, por outro lado, teve projeção elevada para 6,5%.
A Rússia também foi beneficiada pelo cenário, com revisão positiva para 1,1%, impulsionada pela alta do petróleo. Segundo Gourinchas, o aumento dos preços da commodity é “uma boa notícia em termos de receitas de exportação”.
Na América Latina e no Caribe, a projeção foi levemente revisada para cima, com crescimento de 2,3%.
O FMI elevou a projeção de crescimento do Brasil em 2026 para 1,9%, alta de 0,3 ponto percentual em relação à estimativa de janeiro.
Segundo o organismo, o país deve se beneficiar da alta dos preços internacionais de energia, por ser exportador líquido. O impacto positivo do conflito no Oriente Médio pode adicionar 0,2 ponto percentual ao PIB brasileiro neste ano.
Apesar do cenário mais favorável no curto prazo, o FMI vê deterioração em 2027. A projeção foi reduzida para 2,0%, diante do enfraquecimento da demanda global, da alta de custos, especialmente de fertilizantes, e de condições financeiras mais restritivas.
Ainda assim, o relatório destaca que o Brasil possui fundamentos que ajudam a absorver choques externos, como reservas internacionais robustas, baixa exposição à dívida em moeda estrangeira e liquidez elevada.
O FMI também aponta que a taxa de câmbio flexível será um instrumento importante para lidar com a volatilidade internacional.
Com isso, o crescimento brasileiro em 2026 deve superar a média das economias avançadas da zona do euro, mas ainda ficar abaixo da média dos países emergentes, estimada em 3,9%.
*Com informações do AFP e da EFE