Dólar testa patamar importante e pode abrir espaço para queda até R$ 4,20

Para Wagner Investimentos, momento é de atenção com a moeda americana perto de reverter tendência de alta de longo prazo
 (Gary Cameron/Reuters)
(Gary Cameron/Reuters)
Paula Barra
Paula Barra

Publicado em 08/12/2020 às 06:00.

Última atualização em 09/12/2020 às 16:33.

O dólar chegou a cair 1,8% na segunda-feira, 7, negociado a 5,057 reais na cotação mínima do dia, mas amenizou o movimento durante a tarde e fechou em leve baixa de 0,02%, em 5,134 reais. Desde o início de novembro, a moeda americana acumula desvalorização de 10,7%.   

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Apesar de ter voltado a ganhar fôlego, fechando praticamente estável, a Wagner Investimentos aponta que, com o movimento, o dólar testou na véspera um ponto importante no gráfico de longo prazo, que, se perdido -- caso feche abaixo de 5,09 reais --, pode abrir espaço para uma desvalorização ainda mais ampla. Nesse caso, a moeda pode vir a buscar de 4,20 a 4,50 reais nos próximos meses, o que daria uma queda de até 18% frente ao patamar atual.

Isso porque, embora a moeda tenha perdido força no curto prazo, ainda sustenta uma linha de tendência de alta no longo prazo, configurada pela formação de topos e fundos ascendentes. Essa linha está atualmente em 5,09 reais, patamar perdido ontem no movimento intradiário. Para confirmação, é necessário que a moeda feche abaixo dessa região. 

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Para José Faria Júnior, diretor da Wagner Investimentos, que assina o relatório, o momento é de atenção. “Entre as moedas analisadas pelo modelo, o dólar sobe no longo prazo apenas contra as moedas de Rússia, Turquia e Brasil. Assim, mesmo perto de 5,10 reais, o real está caro em relação a moedas emergentes (como México, África do Sul e Chile) e em relação a moedas de países exportadores de commodities (Austrália, Nova Zelândia e Canadá)”, comenta.

Segundo ele, é difícil dizer até onde a moeda poderá cair caso reverta essa tendência de alta, uma vez que a linha de projeção da queda de longo prazo está muito baixa, em 4,05 reais, por conta da grande volatilidade do passado. Embora não aponte que vá chegar até lá, ele comenta que o rompimento de uma tendência de longo prazo sempre gera um grande movimento. 

Para Faria, é bem razoável considerar algo em torno de 4,20 a 4,50 reais para a cotação nos próximos meses. “Apenas para acompanhar a alta das moedas do México e da África do Sul, tendo por base a mínima de maio, teríamos que estar em 4,50 reais hoje”, comenta. De acordo com ele, o desarme do mercado de juros e a forte entrada dos estrangeiros para a bolsa podem provocar a reversão da tendência de longo prazo de alta.

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