Dólar nesta sexta, 17: a moeda americana recuava 0,64%, cotada a R$ 4,961, renovando a mínima do dia e um pouco distante da máxima de R$ 4,986 (Designed by/Freepik)
Repórter
Publicado em 17 de abril de 2026 às 09h46.
O dólar à vista iniciou a sessão desta sexta-feira, 17, em queda, após três pregões consecutivos de estabilidade frente ao real. Às 9h42, a moeda americana recuava 0,64%, cotada a R$ 4,961, renovando a mínima do dia e um pouco distante da máxima de R$ 4,986.
Com o movimento, o dólar renova o menor patamar em mais de dois anos, aproximando-se do nível registrado em 8 de março de 2024, quando encerrou o pregão a R$ 4,9350.
A desvalorização da moeda americana ocorre em meio a um ambiente externo mais favorável ao risco. A expectativa positiva em torno das negociações entre Estados Unidos e Irã tem sustentado o apetite global por ativos de maior risco, contribuindo para o enfraquecimento do dólar frente a moedas emergentes, como o real.
O pano de fundo internacional nesta sexta-feira é mais construtivo, embora ainda distante de um cenário de plena tranquilidade. Na Ásia, predominou a realização de lucros após o rali recente, com o Nikkei 225 devolvendo parte dos ganhos após atingir máxima histórica.
Outros índices da região, como Shanghai Composite, Hang Seng, Kospi e S&P/ASX 200, também fecharam em queda, pressionados sobretudo pelo setor de tecnologia e por uma postura mais defensiva diante de incertezas geopolíticas.
Na Europa, o tom é mais resiliente, com bolsas operando entre estabilidade e leve alta, apoiadas pela perspectiva de alívio no risco energético. Já nos Estados Unidos, os futuros de S&P 500, Nasdaq e Dow Jones avançam moderadamente, refletindo a combinação de petróleo mais comportado, uma temporada de balanços robusta e a percepção de que as tensões geopolíticas podem não escalar no curto prazo.
O mercado, no entanto, segue dividido entre dois vetores. De um lado, a trégua de 10 dias entre Israel e Líbano, sinais de concessões por parte do Irã e esforços de mediação internacional ajudam a reduzir o prêmio de risco. De outro, o Estreito de Ormuz permanece como ponto sensível, dado seu papel estratégico no fluxo global de petróleo.
Nesse contexto, o movimento do dólar reflete um “risk-on” tático, com investidores mais inclinados ao risco no curto prazo, mas ainda condicionado a um cenário externo que segue exigindo cautela, especialmente diante dos riscos para inflação e crescimento global.