GPA: grupo tem passado por uma reestruturação profunda após a saída do Casino do bloco de controle (GPA/Divulgação)
Repórter de Mercados
Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09h30.
O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou na quinta-feira, 9, a renúncia de Rafael Russowsky ao cargo de CFO e diretor de Relações com Investidores da companhia. A decisão marca mais um movimento na mudança de controle e governança do grupo varejista, que tem passado por uma reestruturação profunda após a saída do Casino do bloco de controle.
Com a saída, o novo CEO Alexandre Santoro assume interinamente a função de CFO, acumulando os dois cargos. Já Rodrigo Manso foi nomeado diretor de Relações com Investidores.
A mudança parece não ter pego o mercado totalmente de surpresa, considerando o histórico de Russowsky com o Grupo Casino. Contratado em 2012 como diretor corporativo da holding francesa, ele atuou nos últimos 12 anos em cargos estratégicos nas operações da companhia na América Latina, incluindo os conselhos do GPA, Éxito, FIC e Stix.
No GPA, Russowsky ocupava o cargo de CFO há cerca de três anos, período no qual liderou iniciativas voltadas à reestruturação financeira da companhia. Sob sua gestão, a empresa avançou na redução de despesas, venda de ativos não estratégicos e programas de desalavancagem — além da gestão de passivos fiscais, um dos principais desafios do grupo.
A renúncia ocorre poucos dias após a nomeação de Santoro como CEO, em substituição a Marcelo Pimentel, que também deixou o comando em meio ao processo de transição acionária do GPA. Desde a saída do Casino, a família Coelho Diniz tem ampliado sua influência na gestão da varejista.
A troca de executivos indica um alinhamento à nova estrutura de controle, com o grupo controlador buscando nomes próprios para redesenhar a estratégia da companhia.
Apesar das mudanças no alto escalão, analistas da XP Investimentos mantêm visão cautelosa sobre o desempenho da empresa. A recomendação segue neutra, diante de um cenário desafiador para resultados operacionais e da persistência de riscos relacionados a contingências fiscais.
Ainda assim, o GPA tem sinalizado intenção de seguir avançando na resolução desses passivos e de promover ajustes estratégicos para retomar a rentabilidade do negócio.