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CEO do Credit Suisse (C1SU34) vai deixar o cargo após trimestres negativos e escândalos

O Credit Suisse deve divulgar seus resultados nesta quarta-feira, 27, e já alertou os investidores de que esse será o terceiro trimestre consecutivo no vermelho

Sede do Credit Suisse (C1SU34) (Spencer Platt/Getty Images)

Sede do Credit Suisse (C1SU34) (Spencer Platt/Getty Images)

Carlo Cauti
Carlo Cauti

26 de julho de 2022, 18h14

O CEO do Credit Suisse (C1SU34), Thomas Gottstein, estaria prestes a deixar o cargo após o período mais tumultuado da história do banco suíço.

A informação foi divulgada nesta terça-feira, 26, pela imprensa americana. O Credit Suisse não quis comentar o assunto.

Entre as razões que teriam levado à saída de Gottstein estão vários trimestres não lucrativos e uma gestão marcada por vários escândalos, como o da Archegos Capital Management e da Greensill.

O Credit Suisse deve divulgar seus resultados do segundo trimestre nesta quarta-feira, 27, e já alertou os investidores de que terá prejuízo.

Caso essa previsão se concretize, esse será o terceiro trimestre de prejuízo consecutivo da instituição financeira suíça.

Segundo o banco, a razão desse resultado negativo é o deterioramento da situação econômica na Europa e na Ásia.

Após vinte anos no Credit Suisse, Gottstein se tornou CEO do banco no início de 2020, substituindo Tidjane Thiam, que tinha renunciado após um escândalo de espionagem.

Agora, ele poderia ser substituído por Ulrich Körner, chefe da divisão de gestão de ativos do banco. O novo CEO poderia ser anunciado na manhã de quarta-feira, quando o banco divulgar os resultados do segundo trimestre.

Crises da Archegos e da Greensill minaram o Credit Suisse (C1SU34)

Entre os problemas que Gottstein enfrentou durante seu mandato está o caso da startup financeira britânica Greensil Capital, gerando uma perda de US$ 10 bilhões para o Credit Suisse.

Menos de um mês depois desse escândalo, o CEO teve que enfrentar outro problema com a Archegos, fundo de hedge americano muito alavancado que acabou recebendo uma chamada de margem e provocou uma perda de US$ 5,5 bilhões para o Credit Suisse.

Após esse episódio, o banco suíço reduziu os empréstimos para fundos de hedge e prometeu uma reformulação de seu departamento de compliance.

Além disso, o capital do banco foi consumido por multas e sentenças judiciais adversas.

Por exemplo, um tribunal das Bermudas ordenou que o Credit Suisse pagasse para um bilionário georgiano mais de US$ 600 milhões por ter permitido que um seu funcionário roubasse e administrasse mal seus recursos.

Em outro caso, um tribunal suíço considerou o banco culpado por ajudar uma quadrilha búlgara a lavar dinheiro relacionado ao tráfico de cocaína.

Por causa dessas dificuldades, e pela forte queda das ações do banco, muitos concorrentes começaram a considerar a possibilidade de comprar partes do Credit Suisse.

Desde o começo do ano as ações do Credit Suisse caíram 46%, muito mais do que a queda de 21% registrada pelo índice KBW Bank, que reúne os principais bancos listados nos Estados Unidos.

Além disso, diferente dos grandes bancos americanos, que estão apresentando resultados mistos nos últimos trimestres, o Credit Suisse está há nove meses perdendo dinheiro. Por causa dessa queda, muitos investidores estavam pedindo mudanças radicais na gestão do banco.