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CÂMBIO-Em torno de R$1,70, dólar aguarda Fed em mês carregado

Dólar fecha a R$1,703 nesta sexta-feira Alta no mês é a maior desde maio Atenção para Fed, eleições e reunião do G20 (Texto atualizado com comentários de mercado e perspectivas para novembro) Por Silvio Cascione SÃO PAULO, 29 de outubro (Reuters) - O dólar fechou em baixa nesta sexta-feira, mas terminou outubro acima de 1,70 […]

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Da Redação

Publicado em 29 de outubro de 2010 às 15h40.

  • Dólar fecha a R$1,703 nesta sexta-feira

  • Alta no mês é a maior desde maio

  • Atenção para Fed, eleições e reunião do G20

    (Texto atualizado com comentários de mercado e perspectivas
    para novembro)

    Por Silvio Cascione

    SÃO PAULO, 29 de outubro (Reuters) - O dólar fechou em
    baixa nesta sexta-feira, mas terminou outubro acima de 1,70
    real em um mês marcado pela "guerra cambial" no mundo e pelas
    medidas do governo contra a valorização da moeda brasileira.

    A moeda norte-americana caiu 0,64 por cento nesta
    sessão, para 1,703 real. No mês, o dólar registrou valorização
    de 0,65 por cento, a maior desde maio.

    Ao longo de outubro, o governo triplicou de 2 para 6 por
    cento a alíquota do IOF incidente sobre investimentos
    estrangeiros em renda fixa e aumentou a taxação sobre as
    margens de garantia depositadas por não-residentes na bolsa.

    Além disso, o Ministério da Fazenda ampliou o poder de fogo
    do Tesouro para compras de dólares no mercado à vista e voltou
    a emitir bônus da dívida em reais no exterior.

    Mesmo após as medidas, o dólar teve alta apenas discreta no
    mês. Mas, em outros mercados, a tendência de desvalorização da
    moeda continuou. O euro termina o mês com alta de cerca
    de 2 por cento, mesmo percentual de alta de uma cesta com as
    principais divisas , que inclui o iene.

    As commodities , principal componente da pauta de
    exportações brasileira, subiram cerca de 4 por cento no mês.

    "As medidas tiveram efeito, mas limitado", disse Carlos
    Allievi Jr., gestor da Infinity Asset. "Um pouco foi por elas
    em si, e um pouco pelo receio de novas medidas... O fluxo (de
    capitais) continua positivo."

    AGENDA CHEIA EM NOVEMBRO

    Para novembro, analistas afirmam que é impossível dizer se
    o dólar vai continuar ou não em torno de 1,70 real. Entre os
    importantes eventos ao longo do mês estão a reunião do Federal
    Reserve, nos dias 2 e 3, a reunião dos líderes do G20, entre 11
    e 12, as eleições presidenciais no Brasil e as parlamentares
    nos Estados Unidos.

    A reunião do Fed é vista como o evento mais importante. O
    principal fator para a queda do dólar no mundo nas últimas
    semanas é a expectativa de que o banco central norte-americano
    anuncie um novo pacote de estímulo econômico.

    Koon Chow, Andreas Kolbe e George Christou, do Barclays,
    veem a possibilidade de uma alta do dólar nos próximos dias,
    mas de curta duração. Depois, a tendência é de queda. "Com a
    discussão sobre a nova rodada de estímulos nos Estados Unidos
    já amadurecida, o risco no curto prazo é de que haja alguma
    decepção. Mas, no médio prazo, a diversificação de fluxos deve
    continuar a pressionar as moedas emergentes para cima".

    Marcelo Kfoury, Stephan Kautz e Leonardo Porto, do
    Citigroup, também veem a manutenção do viés de baixa do dólar
    no Brasil. "Nosso ceticismo com o impacto das medidas (do
    governo) no médio e no longo prazo nos levou a reduzir a
    previsão de fim de ano para o dólar a 1,65 real em 2010 (ante
    1,72 anteriormente) e a 1,70 real em 2011 (ante 1,80)."

    O Banco do Japão, com reunião marcada para os dias 4 e 5 de
    novembro, também é monitorado de perto pelos investidores por
    causa da política de comprar ativos para irrigar a economia.

    OLHO NA ELEIÇÃO

    Internamente, o principal ponto de interrogação é com o
    próximo governo. "Domingo a gente já sabe quem vai ganhar a
    eleição. Mas, independente disso, mesmo que o PT ganhe, vai ter
    mudanças de cadeiras lá (em Brasília)", disse Mario Battistel,
    gerente de câmbio da Fair Corretora.

    Jorge Knauer, diretor de tesouraria do banco Prosper, chama
    a atenção também para a possibilidade de que novas medidas
    contra a valorização do real sejam anunciadas pelo governo.

    Na segunda-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
    disse que está satisfeito com o que já foi alterado, mas não
    descartou medidas adicionais, se necessário. [ID:nN25280792]

    "Caso o governo continue modificando ferramentas, a gente
    vai ter um mercado indefinido e um pouco mais volátil. Não no
    sentido de oscilação diária, mas de direção. Esse 'stop and go'
    vai continuar pelo próximo mês", disse Knauer.

(Edição de Aluísio Alves)

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