Repórter
Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 09h28.
O Banco Central decretou a liquidação da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A, novo nome da Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A (REAG3) nesta quinta-feira, 15.
Segundo o BC, a medida foi adotada após a constatação de graves violações às normas que regulam as atividades das instituições financeiras integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
A CBSF estava enquadrada no segmento S4 da regulação prudencial, categoria que reúne instituições de menor porte. De acordo com o Banco Central, a distribuidora representava menos de 0,001% do ativo total ajustado do Sistema Financeiro Nacional, o que indica impacto limitado sobre o sistema financeiro.
Com a decretação da liquidação extrajudicial, os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição foram bloqueados.
O Banco Central afirmou que continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades no âmbito de suas competências legais.
O resultado das apurações poderá levar à aplicação de sanções administrativas e ao envio de comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis.
Na quarta-feira, 14, a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes bilionárias, manipulação de mercado e gestão fraudulenta de instituição financeira. Segundo apurado pela EXAME, um dos alvos da ação foi Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025. Vorcaro foi preso durante a primeira fase da operação e liberado pela Justiça em 28 de novembro.
O Master era um dos principais clientes da Reag. Em 2025, a gestora foi alvo da Operação Carbono Oculto contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), que investigou uma rede criminosa que movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, infiltrada em toda a cadeia de combustíveis e no sistema financeiro nacional.
As investigações revelaram que o grupo criminoso controlava desde a importação até a venda ao consumidor final, usando centenas de empresas para sonegar tributos, adulterar combustíveis e lavar dinheiro. Segundo a Receita Federal, só em créditos tributários federais já foram constituídos mais de R$ 8,67 bilhões contra os envolvidos.
Após a operação no ano passado, os papéis da Reag (REAG3) chegaram a cair mais de 20%.
Em nota, a Reag informou que repudia as alegações e afirma que atua de forma ética, transparente e em conformidade com a legislação.
"A REAG Capital Holding S.A. vem a público repudiar alegações publicadas na imprensa que buscam indevidamente associar a companhia e a atuação de seus executivos a práticas irregulares e organizações criminosas, sem apresentar quaisquer provas de envolvimento em atos ilícitos.
A companhia reafirma que:
São Paulo, 15 de outubro de 2025
REAG Capital Holding S.A"