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Balanço coloca ponto final na lua de mel do mercado com a Usiminas

Crescimento de mais de 200% no lucro não convenceu investidor e ação tem maior queda do Ibovespa nesta quinta (30)

Usiminas: o balanço foi 'ok', mas as previsões não agradaram (Fabian Bimmer/Reuters)

Usiminas: o balanço foi 'ok', mas as previsões não agradaram (Fabian Bimmer/Reuters)

Mitchel Diniz
Mitchel Diniz

Editor de Invest

Publicado em 30 de julho de 2026 às 15h13.

A Usiminas (USIM5) fez o mercado se apaixonar em 2026 — momentaneamente. Da mínima de R$ 3,92 nos últimos 12 meses, a ação preferencial da siderúrgica escalou até o pico de R$ 12,18 no começo de junho, embalada pelas medidas antidumping contra o aço chinês e por um balanço de primeiro trimestre que animou até os mais céticos. O romance, porém, começou a esfriar desde então. E nesta quinta-feira, 30, depois da divulgação dos números do segundo trimestre, o papel negociava a R$ 7,82, uma queda de cerca de 36% em relação ao topo. No ano, acumula alta de 30,76%, a sétima maior valorização do Ibovespa no ano.

Por volta das 15h, o papel USIM5 caía 7,1%, maior queda do índice no dia.

A companhia reportou lucro líquido de R$ 428 milhões no 2T26, alta de 236% em relação aos R$ 128 milhões do mesmo período de 2025, marcado por números fracos em decorrência de efeitos negativos como custos com contingência e equipamentos parados. Na comparação com o primeiro trimestre, o resultado recuou 52%, ante os R$ 896 milhões de um 1T26 que, por sua vez, foi beneficiado por efeitos fiscais e cambiais. O EBITDA ajustado consolidado, por sua vez, somou R$ 761 milhões, avanço de 17% no trimestre e de 86% em um ano, ficando 11% acima da estimativa do Itaú BBA e 15% acima do consenso, segundo o Citi.

No consolidado, a receita líquida somou R$ 6,131 bilhões, alta de 4% no trimestre e queda de 7% na comparação anual.

A siderurgia teve destaque positivo, com EBITDA de R$ 688 milhões, alta de 26% no trimestre. As vendas para o setor automotivo, de maior valor agregado, cresceram 13,4% e passaram a representar 38% das vendas domésticas, ante 33% no trimestre anterior.

Já a mineração foi o ponto fraco. O EBITDA da unidade caiu 36% no trimestre, para R$ 71 milhões, com a margem despencando de 14,2% para 8,2%. A pressão veio quase toda de fora: o frete da rota Brasil-China subiu 35% no período, corroendo a rentabilidade, mesmo com o volume de vendas 27% maior. A companhia projeta que os custos logísticos, sobretudo o frete marítimo, devem seguir elevados.

Guidance morno e capex menor

Se o passado veio dentro e até acima do esperado, o futuro imediato foi o que pesou. Para o terceiro trimestre, a Usiminas projetou estabilidade nos resultados operacionais da siderurgia e queda na mineração. A companhia espera aumento das vendas de aço no mercado interno, com reajustes de preços a clientes industriais, mas também elevação dos custos de vendas ligados a carvão, coque e placas. Na mineração, a expectativa é de redução no volume e manutenção dos custos logísticos pressionados.

Foi essa combinação que levou o Itaú BBA a classificar as perspectivas para o 3T26 como negativas, mesmo mantendo a recomendação de compra (outperform) e o preço-alvo de R$ 11,00 para o fim de 2026. O Citi enxergou o resultado como neutro.

A Usiminas também revisou para baixo o guidance de investimentos de 2026, para a faixa de R$ 1,2 bilhão a R$ 1,4 bilhão, ante os R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão anteriores. As casas leram o corte como sinal de disciplina financeira, embora o Citi tenha ponderado que parte do investimento pode simplesmente ter sido empurrada para o ano seguinte.

O ceticismo que nunca saiu de cena

A desconfiança que agora ressurge não é nova. Mesmo no auge da disparada, quando a Usiminas liderava com folga o ranking do Ibovespa e chegou a acumular alta nominal de quase 78,6% no ano, a tese nunca foi unanimidade no mercado. O rali havia sido construído sobre uma mudança estrutural real, a série de medidas antidumping que reduziu a participação chinesa no mercado brasileiro e sobre um balanço acima do consenso.

Casas como Goldman Sachs, UBS BB e BTG Pactual elevaram estimativas naquele momento. Mas outras já sinalizavam que o ponto de entrada havia ficado pouco atrativo. Santander e Eleven Financial mantinham preços-alvo na casa de R$ 6,70 a R$ 6,80, bem abaixo da cotação de então, avaliando que os catalisadores visíveis estavam em boa medida precificados.

Entre os riscos que essas casas apontavam estavam justamente uma eventual pressão de custos acima do esperado e a fraqueza na divisão de mineração. Foi essa parte da conta que o balanço do 2T26 trouxe à tona. Com o papel perto do pico, havia pouca margem para decepção, e o mercado voltou a olhar para os pontos que a euforia havia deixado de lado.

Para as casas, o que definirá os próximos capítulos é a capacidade da companhia de impor novos aumentos de preço no aço ao longo do segundo semestre, movimento que o Citi considera necessário para sustentar as margens.

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