Mercados

Alta do dólar prejudica empresas que dobraram dívida externa

Analistas projetam perdas ainda maiores para a moeda brasileira, que tem o pior desempenho entre as 16 principais do mundo


	Alta do dólar frente o real prejudica empresas que aumentaram dívida externa
 (Reuters)

Alta do dólar frente o real prejudica empresas que aumentaram dívida externa (Reuters)

DR

Da Redação

Publicado em 18 de dezembro de 2012 às 08h10.

A queda do real este ano está elevando o custo de financiamento para empresas locais que duplicaram suas dívidas em dólar desde 2009. Analistas projetam perdas ainda maiores para a moeda brasileira, que tem o pior desempenho entre as 16 principais do mundo.

As empresas privadas do País ampliaram suas dívidas em moeda estrangeira de US$ 102,7 bilhões em 2009 para US$ 199,8 bilhões em outubro, de acordo com os últimos dados do Banco Central. Volume recorde de US$ 46 bilhões em títulos foi emitido no exterior este ano, o dobro do montante captado por companhias mexicanas em 2012.

O enfraquecimento do real está inflando o custo dos empréstimos para tomadores brasileiros de recursos e afetando o lucro de companhias com despesas em dólares como a Petróleo Brasileiro SA e a Gol Linhas Aéreas Inteligentes SA. Depois da queda de 11 por cento do real este ano, o HSBC Holdings Plc e a Nomura Holdings Inc. previram que a moeda vai se depreciar pelo menos outros 8,7 por cento até o fim de 2013 com o governo ampliando as medidas para apoiar os fabricantes locais.

Um real fraco “reduz a margem de lucro das empresas brasileiras, que agora têm mais dívidas em moeda estrangeira e mais fornecedores internacionais”, disse Octavio de Barros, diretor e economista chefe do Banco Bradesco SA, em entrevista por telefone de São Paulo. “Essa nova onda de desvalorização do real, embora positiva para o crescimento da economia no longo prazo, acaba atrasando a recuperação econômica.”

Acompanhe tudo sobre:CâmbioDólarMoedasReal

Mais de Mercados

Ibovespa acompanha NY e firma queda com pressão de Petrobras e bancos

'Miramos 15% de retorno em 2026', diz CFO do Banco do Brasil sobre rentabilidade

Banco do Brasil deve enfrentar 2026 desafiador, admite Tarciana Medeiros

Por que ações do Banco do Brasil sobem mesmo com queda de 40% no lucro