Saúde financeira: entre os 'apertados', 70% são mulheres (Ilustração gerada pelo ChatGPT/Reprodução)
Repórter de finanças
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 13h27.
Última atualização em 29 de setembro de 2026 às 17h45.
Uma pesquisa da empresa Serasa Experian identificou quatro perfis diferentes do trabalhador brasileiro e como eles lidam com as finanças. O perfil 'vivem o agora', por exemplo, acredita ter um autocontrole financeiro, mas seguem negativados. Outro achado importante do estudo é que perfis de mesma renda tem comportamentos distintos perante o dinheiro.
O controle financeiro pode parecer estar na palma da sua mão – mas, cuidado: esta poder ser uma falsa sensação. Uma pesquisa da Serasa Experian mapeou quatro perfis dos trabalhadores brasileiros. Aqueles que ‘vivem o agora’, deram nota 7,23 para sua própria organização financeira. Mas a verde é que 66% deles foram negativados nos últimos 12 meses.
“Isso demonstra muito bem o paradoxo entre curto e longo prazo que esse tipo de perfil representa”, afirmou Délber Lage, diretor de Soluções para RH da Serasa Experian. Os outros perfis, ‘apertados’, ‘organizando o futuro’ e ‘consolidados’ deram a si as seguintes notas: 5,53, 7,45 e 8,45, enquanto a negativação dos últimos 12 meses foi de: 55%, 24% e 6%. É possível notar, inclusive, que a inadimplência dos que ‘vivem o agora’ é maior dos que se consideram ‘apertados’.
Entre esse último grupo, dos que estão financeiramente instáveis, um dado chama a atenção: 70% são mulheres, mostra a pesquisa. “É um constante jogo de equilíbrio. Essas pessoas estão muito expostas a qualquer situação de emergência, porque não tem composição de poupança para atender”, disse Lage.
Já os ‘consolidados’ vivem outra realidade. Estão numa fase de carreira mais estável, onde conseguem poupar, pensar no futuro e, assim, organizar as finanças para não se endividar. “Nem todos estão tendo essa opção de escolha, de guardar ou não”, pontuou Lage. Entretanto, há outro número que se destaca: pessoas que ganham a mesma renda, tem comportamentos financeiros distintos.
Ao todo, 43% dos ‘apertados’ ganham de dois a quatro salários mínimos, versus 47% dos ‘organizando o futuro’, um número relativamente próximo. Porém, apenas 12% chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente no grupo dos ‘apertados’, enquanto 47% dos ‘organizando o futuro’ conseguem. Quando olhado a inadimplência, esse montante é de 62% versus 18%, respectivamente.
A inteligência artificial já aparece na rotina financeira dos trabalhadores. Segundo a pesquisa, 60% das pessoas já utilizaram alguma ferramenta de IA para lidar com a vida financeira, 74% confiam nas sugestões recebidas e, entre os que ‘vivem o agora’, 73% já recorreram à tecnologia.
A finalidade do uso, porém, varia conforme o perfil financeiro. Entre os ‘apertados’ e os que ‘vivem o agora’, a IA é usada principalmente para organizar ou negociar dinheiro. Já os ‘consolidados’ e os que ‘organizam o futuro’ recorrem mais à ferramenta para aprender sobre investimentos e tirar dúvidas sobre como construir patrimônio.
O crédito também é uma ferramenta importante na vida financeira de qualquer família, mas o impacto depende do tipo de dívida e das condições em que ela é contratada. Para os trabalhadores ‘apertados’, o recurso costuma aparecer como uma saída emergencial, enquanto os ‘consolidados’ conseguem se planejar e comparar as opções antes de tomar um empréstimo.
“Crédito por si não é ruim, mas crédito a altas taxas pode ser um crédito muito bom ou pode ser um crédito muito pernicioso. Uma coisa sou eu pegar um crédito a uma taxa menor que 1% ao mês para financiar um imóvel e outra coisa sou eu pegar um crédito de emergência a 18% ao mês para fechar a conta no final do mês”, comentou Lage.
Para o grupo que vive maior aperto financeiro, o crédito emergencial pode aumentar ainda mais a pressão sobre o orçamento. Já entre os ‘consolidados’, o menor peso das parcelas permite utilizar o crédito para adquirir ativos sem comprometer tanto a renda mensal.
“Então, consequentemente, eu consigo gerenciar melhor esse crédito e usá-lo para construir mais patrimônio, para trazer mais ativos, sem que isso comprometa o meu mês a mês”, concluiu o executivo.
A pesquisa da empresa Serasa Experian dividiu os trabalhadores brasileiros nos perfis “apertados”, “vivem o agora”, “organizando o futuro” e “consolidados”. Os grupos representam diferentes níveis de estabilidade, planejamento e organização financeira.
O perfil “vivem o agora” atribuiu nota 7,23 à própria organização financeira, mas 66% dos integrantes foram negativados nos últimos 12 meses, segundo a pesquisa. Para Délber Lage, diretor de Soluções para RH da Serasa Experian, os dados demonstram um paradoxo entre curto e longo prazo.
As mulheres representam 70% dos trabalhadores classificados como “apertados”, segundo a pesquisa da Serasa Experian. De acordo com Délber Lage, essas pessoas ficam expostas a emergências por não terem uma poupança disponível.
Não. Segundo a pesquisa, 43% dos “apertados” e 47% dos que estão “organizando o futuro” ganham de dois a quatro salários mínimos, mas apenas 12% do primeiro grupo chegam ao fim do mês com dinheiro suficiente, ante 47% do segundo.
Segundo a pesquisa, 60% dos trabalhadores já usaram alguma ferramenta de inteligência artificial para lidar com a vida financeira, e 74% confiam nas sugestões recebidas. Os “apertados” e os que “vivem o agora” usam a IA principalmente para organizar ou negociar dinheiro, enquanto os demais perfis buscam informações sobre investimentos e construção de patrimônio.
Os trabalhadores “apertados” costumam recorrer ao crédito em emergências, enquanto os “consolidados” conseguem comparar opções e planejar empréstimos. Délber Lage afirma que o impacto depende das taxas e da finalidade do crédito, que pode financiar um imóvel ou cobrir despesas no fim do mês.