Economia

Copom: Banco Central reduz ritmo de queda de juros para 0,25 pp e Selic cai para 10,5% ao ano

Os diretores do BC não sinalizaram se manterão o ritmo de cortes nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária

 (Adriano Machado/Reuters)

(Adriano Machado/Reuters)

Antonio Temóteo
Antonio Temóteo

Repórter especial de Macroeconomia

Publicado em 8 de maio de 2024 às 18h34.

Última atualização em 8 de maio de 2024 às 19h22.

O Comitê de Política Monetária (Copom), em decisão dividida, reduziu os juros em 0,25 ponto percentual, para 10,5% ao ano, nesta quarta-feira, 8. Essa foi a sétima queda consecutiva da Selic. A decisão era esperada pelo mercado, que passou a opostar em redução do ritmo de cortes após o governo mudar a meta fiscal e essa decisão afetar as expectativas de inflação.

Os  diretores do BC não sinalizaram se manterão o ritmo de cortes nas próximas reuniões. No mercado, a dúvida é quando o ciclo de queda se encerrará. A certeza é de que esse ciclo será menor do que o projetado antes. A mediana das apostas está em 9,63% ao ano, segundo o Focus. Há quatro semanas estava em 9% ao ano.

"A conjuntura atual, caracterizada por um estágio do processo desinflacionário que tende a ser mais lento, expectativas de inflação desancoradas e um cenário global desafiador, demanda serenidade e moderação na condução da política monetária. O Comitê, unanimemente, avalia que o cenário global incerto e o cenário doméstico marcado por resiliência na atividade e expectativas desancoradas demandam maior cautela. Ressalta, ademais, que a política monetária deve se manter contracionista até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas. O Comitê também reforça, com especial ênfase, que a extensão e a adequação de ajustes futuros na taxa de juros serão ditadas pelo firme compromisso de convergência da inflação à meta", informou o BC no comunicado do Copom.

Divisão na diretoria do BC

A decisão do Copom mostrou que há uma divisão clara na diretoria do BC. Os três diretores e o presidente, Roberto Campos Neto, indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, votaram pela queda 0,25 ponto percentual. Soma-se a esse grupo o diretor de Regulação, Otávio Damaso, indicado para o posto pela ex-presidente Dilma Rousseff.

Já os quatro diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva votaram por uma redução de 0,5 ponto percentual.

Mudança de meta fiscal mudou apostas

O aumento das incertezas desde a última reunião do Copom consolidou a aposta de queda de 0,25 ponto percentual de juros em maio. A mudança da meta fiscal se traduziu em aumento das expectativas de inflação.

Como mostrou a EXAME, após a decisão do governo, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, passou a dar ênfase nos discursos sobre a necessidade de ancorar as projeções para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Na prática, o ciclo de quedas de juros será menor do que o esperado anteriormente pelos economistas.

A EXAME consultou ex-diretores do BC que produzem modelos semelhantes aos da autoridade monetária para estimar a inflação de 2024 e dos próximos anos. Em todos eles as projeções para o IPCA subiram consideravelmente com a decisão do Ministério da Fazenda de zerar o déficit público somente em 2025 e promover um ajuste fiscal somente no próximo governo.

Campos Neto deu um recado importante sobre expectativas de inflação ao dizer que o BC terá um “trabalho difícil à frente”, mas que fará o que for necessário para ancorar as estimativas. Segundo ele, esses dados são muito relevantes para o Copom e que fará o que for necessário para ancorar as expectativas.

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