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Sete empresas que apostaram muito na IA e tiveram que voltar atrás — veja o que deu errado (Canva AI)
Jornalista
Publicado em 27 de julho de 2026 às 17h21.
A inteligência artificial mudou a forma como empresas atendem clientes, produzem conteúdo e tomam decisões. Mas nem toda aposta deu certo. Nos últimos anos, companhias de peso reconheceram publicamente que foram longe demais na automação e precisaram recuar.
O termo mais citado nesses episódios é "human in the loop", ou seja, manter supervisão humana mesmo em processos automatizados. Quando essa camada de checagem desaparece, erros que passariam despercebidos ganham escala rapidamente.
Os casos a seguir mostram como isso aconteceu em setores diferentes, do varejo à saúde.
A fintech sueca chegou a afirmar que seu assistente de IA fazia o trabalho de cerca de 700 atendentes. Meses depois, o CEO Sebastian Siemiatkowski reconheceu queda na qualidade do atendimento e a empresa voltou a contratar humanos, em um modelo remoto e flexível.
Em 2025, o CEO Luis von Ahn anunciou que a empresa deixaria de contratar novos freelancers para tarefas automatizáveis pela IA. A repercussão negativa nas redes foi imediata, e o executivo esclareceu que a tecnologia serviria para acelerar processos, não substituir a equipe.
Vendido como revolução no tratamento do câncer, o sistema chegou a recomendar terapias inadequadas em hospitais parceiros. A IBM reduziu o projeto e, em 2022, vendeu os ativos do Watson Health.
A rede testou pedidos por voz com IA em parceria com a IBM, mas vídeos de erros grotescos viralizaram. Em 2024, a empresa encerrou o teste em mais de 100 unidades, embora tenha mantido interesse futuro na tecnologia.
Um chatbot forneceu informação incorreta sobre reembolso, e a empresa alegou na Justiça que o sistema seria "uma entidade separada". Um tribunal canadense rejeitou o argumento e responsabilizou a companhia.
Usando IA preditiva para comprar imóveis automaticamente, a empresa acumulou prejuízo superior a US$ 500 milhões quando o algoritmo passou a errar estimativas de preço. O programa foi encerrado em 2021.
Os dois veículos publicaram conteúdo gerado por IA sem transparência adequada. A CNET corrigiu artigos com erros factuais, e a Sports Illustrated removeu textos assinados por autores fictícios criados por uma terceirizada.
Apesar dos setores diferentes, um ponto se repete: o problema raramente foi usar IA, e sim substituir totalmente o julgamento humano ou superestimar a maturidade da tecnologia.
Empresas que recuaram passaram a adotar controles mais rígidos, testes graduais e canais de escalonamento para atendimento humano quando necessário.
Antes de automatizar um processo com IA, vale mapear onde o erro pode causar mais dano, seja financeiro, jurídico ou reputacional, e manter revisão humana nesses pontos.
Também é importante comunicar claramente aos clientes quando eles estão interagindo com um sistema automatizado, evitando problemas como os enfrentados pela Air Canada.
Por fim, medir resultados de forma contínua permite identificar quedas de qualidade antes que se tornem uma crise pública, como ocorreu com a Klarna.