Economia

FMI descarta novo empréstimo à Argentina e elogia reformas de Milei

A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, visita o país pela primeira vez desde que assumiu o cargo e afirma que a economia argentina está se recuperando

Argentina: FMI acredita que o país teve melhoras econômicas significativas (Stuart Dee/Getty Images)

Argentina: FMI acredita que o país teve melhoras econômicas significativas (Stuart Dee/Getty Images)

Paloma Lazzaro
Paloma Lazzaro

Estagiária de jornalismo

Publicado em 27 de julho de 2026 às 17h22.

Última atualização em 27 de julho de 2026 às 17h24.

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Em sua primeira visita à Argentina como diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva afirmou nesta segunda-feira, 27, que o país não precisa de um novo empréstimo da instituição e elogiou os resultados do programa econômico conduzido pelo presidente Javier Milei.

A economista também reconheceu que o crescimento argentino ainda está concentrado em poucos setores e defendeu medidas para torná-lo mais amplo e equilibrado.

"Não vemos a Argentina precisando de financiamento adicional do Fundo. Mesmo sob cenários adversos, vejo um governo muito comprometido com a reconstrução das reservas e com uma estratégia abrangente para garantir acesso ao financiamento em 2027", afirmou Georgieva, ao lado do ministro da Economia, Luis Caputo.

Segundo a dirigente, o objetivo é que a Argentina se torne um dos países que recorreram ao FMI, implementaram reformas econômicas e deixaram de depender de novos empréstimos.

FMI elogia reformas e melhora dos indicadores

Georgieva destacou que a economia argentina está em uma posição "muito mais forte" do que em 2019, quando participou de sua primeira reunião sobre o país como diretora-gerente do FMI.

Ela atribuiu essa melhora ao ajuste fiscal, à queda da inflação, ao fortalecimento das reservas internacionais e à redução do risco-país.

Segundo a dirigente, a inflação anual caiu de mais de 200% para cerca de 30%, enquanto o país acumulou aproximadamente US$ 13 bilhões em reservas internacionais.

De acordo com dados do FMI, o pico inflacionário argentino começou em 2022, durante o governo de Alberto Fernández, com a inflação anual a 72%, e atingiu sua maior marca em 2024, já no governo Milei, com 219%. O recuo se deu em 2025, quando o número abaixou para 41,9%, e segue em queda em 2026, com 30,4%.

A diretora-gerente também citou a melhora da classificação da dívida argentina pelas agências de risco e a retomada de emissões de títulos pelo Tesouro no mercado doméstico.

Na terça-feira passada, 21, o país recebeu uma avaliação mais favorável sobre sua capacidade de pagar a dívida pública pela Moody's, uma das principais agências internacionais de classificação de risco. A revisão segue movimentos semelhantes feitos anteriormente pela S&P Global e pela Fitch, reforçando a confiança dos investidores nas reformas econômicas implementadas pelo governo Milei.

"Hoje, por todos os indicadores, temos um quadro muito mais sólido", afirmou.

Crescimento ainda é concentrado em poucos setores

Apesar dos elogios, Georgieva ressaltou que a recuperação econômica ainda não beneficia todos os segmentos da economia.

Segundo ela, o crescimento está concentrado principalmente em petróleo, gás, mineração e agronegócio, enquanto setores como construção, comércio e indústria continuam apresentando desempenho mais fraco.

A diretora do FMI disse que discutiu com a equipe econômica formas de ampliar o acesso ao crédito para pequenas empresas e famílias, fortalecer o mercado de capitais, expandir o crédito imobiliário e estimular investimentos em infraestrutura.

Ela também defendeu a continuidade das medidas de desregulamentação adotadas pelo governo argentino.

"O progresso superou as expectativas, mas ainda há trabalho a ser feito", afirmou.

Pagamentos de 2027 seguem no radar

Embora tenha afirmado não estar preocupada com a capacidade da Argentina de honrar seus compromissos financeiros, Georgieva reconheceu que 2027 será um ano decisivo, quando o país enfrentará um volume elevado de vencimentos da dívida em moeda estrangeira.

Estimativas do próprio FMI apontam que a Argentina terá obrigações externas superiores a US$ 32 bilhões naquele ano, período que também deve coincidir com a campanha pela reeleição de Milei.

O governo argentino afirma que pretende cumprir esses pagamentos por meio de uma combinação de financiamento de organismos multilaterais, privatizações, emissões de dívida no mercado local e aumento das exportações, sem recorrer novamente aos mercados internacionais.

Durante sua visita de dois dias, Georgieva também se reuniu com Milei, com o presidente do Banco Central, Santiago Bausili, e representantes do setor empresarial e acadêmico.

Nesta terça-feira, 28, ela deverá visitar Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo e gás de xisto do mundo, considerada estratégica para ampliar as exportações argentinas e fortalecer as contas externas do país.

A viagem acontece antes da terceira revisão do programa de US$ 20 bilhões firmado entre a Argentina e o FMI em 2025. Apesar do apoio às reformas, técnicos do Fundo seguem classificando o cenário como de "riscos excepcionais", alertando que a sustentabilidade da dívida ainda depende da continuidade da política fiscal e do avanço das reformas econômicas.

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