Inteligência Artificial

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‘O problema não é o conflito de gerações, é a sua empresa que ainda não entendeu a IA’, afirma CTO

Empresas que atribuem a resistência à inteligência artificial a um conflito entre gerações podem estar ignorando problemas de gestão e de processos

‘O problema não é o conflito de gerações, é a sua empresa que ainda não entendeu a IA’, afirma CTO (Magnific/Reprodução)

‘O problema não é o conflito de gerações, é a sua empresa que ainda não entendeu a IA’, afirma CTO (Magnific/Reprodução)

Publicado em 27 de julho de 2026 às 15h21.

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A chegada da inteligência artificial ao ambiente corporativo costuma ser associada a um suposto conflito entre gerações. A narrativa mais comum diz que profissionais mais jovens adotam rapidamente as novas ferramentas, enquanto os mais experientes demonstram resistência. No entanto, especialistas defendem que essa interpretação simplifica um problema mais amplo.

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O desafio está na estrutura das empresas

Segundo Edgar Zattar, CTO de Inovação e Novos Negócios da Conversys IT Solutions, o verdadeiro desalinhamento acontece entre profissionais que já incorporaram a IA ao dia a dia e organizações que continuam operando com processos pensados para uma realidade anterior.

Em vez de discutir quem utiliza a tecnologia, a questão passa a ser como a empresa organiza o trabalho. Em muitos casos, ferramentas capazes de automatizar tarefas convivem com fluxos burocráticos, aprovações demoradas e métricas que não refletem a produtividade atual.

Isso significa que o ganho proporcionado pela inteligência artificial nem sempre é aproveitado, porque os processos permanecem praticamente os mesmos.

Como esse problema aparece na prática

O desalinhamento pode ser observado em diferentes áreas.

Um analista consegue consolidar grandes volumes de dados em poucos minutos com apoio da IA, mas ainda precisa preencher planilhas e relatórios manuais que consomem horas.

Em equipes de conteúdo, ferramentas de geração de texto aceleram a produção, enquanto etapas de aprovação continuam dimensionadas para um ritmo muito mais lento.

Na área de tecnologia, desenvolvedores utilizam assistentes de programação, conhecidos como copilotos de código, mas seguem avaliados por indicadores criados quando todo o desenvolvimento era feito manualmente.

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A cautela também faz parte da transformação

A adoção da inteligência artificial não depende apenas de velocidade. Existem riscos relacionados à segurança da informação, à privacidade de dados e ao cumprimento da legislação.

O uso de plataformas externas para processar informações corporativas pode aumentar a exposição a vazamentos de dados. Por isso, especialistas destacam que preocupações das lideranças são legítimas e precisam fazer parte da estratégia de implementação.

"O maior erro não é experimentar a inteligência artificial. É deixar que ela seja utilizada sem diretrizes, porque isso transfere para cada colaborador a responsabilidade de decidir sozinho sobre riscos, segurança e privacidade. "Edgar Zattar, CTO de Inovação e Novos Negócios da Conversys IT Solutions

Ao mesmo tempo, a experiência acumulada por gestores continua sendo um diferencial importante. Em um ambiente mais automatizado, habilidades como interpretar cenários, avaliar riscos e tomar decisões ganham ainda mais relevância.

O problema surge quando a cautela deixa de ser uma etapa de avaliação e passa a impedir qualquer mudança.

Três medidas para incorporar a inteligência artificial

Especialistas apontam que empresas podem acelerar a adaptação por meio de três iniciativas principais.

Primeiro, é importante mapear o uso da IA já existente entre os colaboradores. Muitas equipes utilizam essas ferramentas informalmente, sem diretrizes claras.

Depois, é necessário redesenhar processos, em vez de apenas automatizar tarefas isoladas. O objetivo é identificar quais atividades dependem do julgamento humano e quais podem ser executadas com apoio da tecnologia.

Por fim, criar políticas de uso ajuda a estabelecer regras sobre segurança, governança e compartilhamento de informações, reduzindo riscos sem bloquear a inovação.

O que essa mudança significa para profissionais e empresas

Estudos do Fórum Econômico Mundial indicam que a geração Z representará uma parcela crescente da força de trabalho até o fim da década. Muitos desses profissionais já iniciam suas carreiras considerando a inteligência artificial uma ferramenta comum para eliminar tarefas repetitivas.

Independentemente da idade, empresas que mantêm estruturas incompatíveis com essa nova forma de trabalhar podem enfrentar perda de produtividade, dificuldades para atrair talentos e menor competitividade.

Mais do que um debate entre gerações, a inteligência artificial evidencia a necessidade de revisar processos, definir regras claras e adaptar modelos de gestão. O desafio deixa de ser tecnológico e passa a ser organizacional.

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