Aporte bilionário: gestora de capital de risco amplia seus investimentos em IA (Getty Images)
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Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 10h40.
A Sequoia Capital, uma das principais gestoras de capital de risco do Vale do Silício, está se preparando para investir na Anthropic pela primeira vez, em uma rodada de financiamento que pode elevar a avaliação da startup de inteligência artificial em até US$ 350 bi.
A rodada é liderada pelo fundo soberano de Singapura, GIC, e pela investidora americana Coatue — que, com a Sequoia, devem investir US$ 1,5 bi cada. Microsoft e Nvidia também se comprometeram a aportar até US$ 15 bi no total, enquanto outros fundos e investidores devem contribuir com mais de US$ 10 bi.
As negociações continuam em andamento e os valores finais podem mudar. Ainda não há uma lista completa de investidores, mas a expectativa é que a rodada seja concluída nas próximas semanas. Caso o plano se confirme, a empresa pode mais que dobrar sua avaliação de mercado, que era de US$ 170 bi há cerca de quatro meses.
Caso confirme sua participação, a Sequoia desafia um dos principais tabus do capital de risco, que seguia há muitos anos: o de apoiar empresas que disputam o mesmo mercado.
No setor de inteligência artificial, no entanto, a Sequoia tem aberto exceções. A gestora já investiu na OpenAI e na xAI, duas grandes concorrentes da Anthropic. Segundo uma fonte ouvida pelo FT, o avanço da indústria levou a Sequoia a tratar esses aportes como investimentos em ações, e não como capital de risco, diante da noção de que a corrida pela IA não terá uma única empresa vencedora.
A movimentação também chama atenção pela relação histórica do fundo com o CEO da OpenAI, San Altman, apoiado pela gestora desde sua primeira startup, a Loopt. O possível aporte acontece em um momento sensível dessa parceria, uma vez que ele já afirmou que investidores com acesso contínuo a informações confidenciais da OpenAI poderiam perdê-lo caso investissem em concorrentes.
O investimento ocorre após mudanças na liderança da Sequoia. Em novembro do ano passado, Roelof Botha deixou o comando da gestora e abriu espaço para uma nova estratégia, sob a liderança de Pat Grady e Alfred Lin.
A rodada acontece em paralelo à preparação da Anthropic para uma possível oferta pública inicial de ações (IPO) ainda este ano. De acordo com o Financial Times, a empresa já contratou o escritório de advocacia Wilson Sonsini para elaborar a proposta e entrou em contato com bancos para falar sobre a abertura de capital.