Inteligência Artificial

Robôs podem substituir milhões de humanos até 2050

Avanço da IA e queda nos custos aceleram adoção global, segundo o Morgan Stanley; mercado pode superar US$ 200 bilhões até 2035

Robôs humanoides: bancos preveem quando eles serão comuns no mundo (Malte Mueller/Getty Images)

Robôs humanoides: bancos preveem quando eles serão comuns no mundo (Malte Mueller/Getty Images)

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 08h52.

Última atualização em 24 de janeiro de 2026 às 09h15.

Em Davos, onde costumam circular presidentes, CEOs e discursos solenes, Elon Musk lançou uma previsão digna de ficção científica — mas com números na mão.

Segundo o homem mais rico do mundo, os robôs vão superar os humanos em quantidade no planeta nas próximas décadas. A aposta não é só dele: bancos e consultorias projetam que o mundo pode conviver com até 1 bilhão de robôs humanoides até 2050, espalhados por fábricas, hospitais e casas, executando tarefas que hoje ainda dependem de gente de carne e osso.

Essa visão é sustentada por dados recentes do Goldman Sachs Research, que revisou para cima suas estimativas para o setor. O mercado global de robôs humanoides pode atingir US$ 38 bilhões até 2035, mais de seis vezes acima da projeção anterior.

O volume de envios também foi ajustado: a expectativa agora é de 1,4 milhão de unidades no período, com uma trajetória de rentabilidade mais curta.

IA acelera salto tecnológico

O principal fator por trás da mudança é o avanço da inteligência artificial.

Segundo o relatório, publicado em 2024, progresso em modelos de linguagem aplicados à robótica e em sistemas de aprendizado de ponta a ponta reduziu a dependência de programação manual.

Na prática, isso permite que robôs aprendam novas tarefas com mais rapidez e se adaptem a ambientes fora das fábricas, como armazéns, hospitais e residências.

Outro elemento decisivo é a queda nos custos de produção. O custo de fabricação de um robô humanoide caiu cerca de 40% em apenas um ano.

Modelos que antes custavam entre US$ 50 mil e US$ 250 mil passaram para uma faixa de US$ 30 mil a US$ 150 mil. A redução foi impulsionada por componentes mais baratos, maior oferta na cadeia de suprimentos e ganhos de eficiência em design e manufatura.

Indústria lidera a adoção

No curto prazo, o uso seguirá concentrado na indústria, segundo as análises.

O Goldman Sachs estima mais de 250 mil robôs humanoides em operação até 2030, quase todos em ambientes industriais. Montagem de veículos elétricos, separação de componentes e logística são algumas das aplicações mais avançadas.

Esses robôs são especialmente indicados para tarefas classificadas como “perigosas, sujas e repetitivas”, como mineração, manutenção de reatores nucleares, resgate em desastres e operação em indústrias químicas.

A flexibilidade física dos humanoides amplia o alcance da automação, inclusive em terrenos complexos onde máquinas tradicionais não operam bem.

Da fábrica para dentro de casa

O uso doméstico deve ganhar tração a partir da próxima década.

Projeções do Morgan Stanley indicam que, até 2050, 10% das residências nos Estados Unidos terão ao menos um robô humanoide. Entre famílias com renda anual acima de US$ 200 mil, a proporção pode chegar a 33%.

O custo anual estimado para manter um robô gira em torno de US$ 10 mil, valor comparável ao de um automóvel, segundo estimativas do setor. As funções previstas incluem tarefas domésticas, cuidado de idosos, vigilância e manutenção, além de apoio em contextos de escassez de mão de obra.

Limites técnicos e dilemas sociais

Apesar do avanço, ainda existem gargalos. A produção de componentes de alta precisão enfrenta restrições industriais, e o desenvolvimento de IA generalista — capaz de executar múltiplas tarefas complexas — segue em estágio inicial. A maioria dos robôs atuais opera com funções específicas e bem delimitadas.

A expansão também traz questionamentos sociais. Especialistas alertam para impactos sobre o mercado de trabalho, além de debates sobre uso de robôs em segurança, vigilância e serviços públicos. Há ainda preocupações psicológicas, como a robofobia, e discussões emergentes sobre limites éticos no uso dessas máquinas.

De protótipo a item essencial

Empresas como a Tesla apostam que a transição será rápida. Musk afirmou que o robô Optimus já executa tarefas simples em fábricas e pode chegar ao mercado em 2026 ou 2027.

Para o Barclays, o mercado global pode alcançar entre US$ 40 bilhões e US$ 200 bilhões até 2035, dependendo da velocidade da inovação.

No cenário mais otimista, os humanoides deixariam de ser curiosidades tecnológicas para se tornar um dispositivo essencial, assim como smartphones e veículos elétricos. A diferença é que, desta vez, a próxima revolução não cabe no bolso. Ela caminha, fala e trabalha ao lado dos humanos.

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