Profissionais com mais de 45 anos usam menos ferramentas de inteligência artificial no trabalho do que os colegas mais novos. Esse é o retrato das principais pesquisas recentes. Ainda assim, os mesmos levantamentos trazem sinais que fogem do senso comum e ajudam a entender o papel da experiência profissional.
O que os números dizem sobre idade e uso de IA
Um estudo do NBER, instituto de pesquisa econômica dos Estados Unidos, ouviu mais de 5 mil americanos entre 18 e 64 anos em agosto de 2024. O uso de IA generativa no trabalho, tipo de tecnologia que cria textos, imagens e áudio a partir de comandos, chegou a cerca de 34% entre menores de 40 anos, contra 17% entre quem tem 50 anos ou mais.
A organização Generation ouviu 2.610 trabalhadores com mais de 45 anos e 1.488 empregadores nos Estados Unidos e na Europa. Entre os trabalhadores, 15% usam IA generativa no trabalho, e a maioria desses usuários aprendeu por conta própria e recorre às ferramentas várias vezes por semana.
O que muda quando a experiência entra na conta
Mais da metade dos usuários acima de 45 anos relatou melhorias em três frentes:
- qualidade do trabalho
- produtividade
- tomada de decisão
Os autores da pesquisa afirmam que profissionais mais experientes podem precisar menos da IA para compensar lacunas de vivência e que sua experiência e julgamento podem ajudar a escrever melhores comandos, os chamados prompts, e a interpretar resultados com mais critério. Trata-se de uma hipótese do estudo, e não de uma conclusão comprovada.
A expectativa dos mais velhos
A Thomson Reuters ouviu mais de 2.200 profissionais das áreas jurídica, tributária e de risco e conformidade. Os baby boomers tiveram a projeção mais agressiva: em média, esperam que 60% do trabalho das equipes use tecnologias de IA em cinco anos, mais do que Gen X, millennials e Gen Z.
O obstáculo está no acesso
Nos Estados Unidos, 90% dos gestores de contratação tendem a considerar candidatos com menos de 35 anos para vagas ligadas à IA, contra 32% no caso de candidatos acima de 60. Entre os trabalhadores com mais de 45 anos que não usam IA, 24% nos Estados Unidos e 17% na Europa disseram não ter interesse algum no tema.
Como isso aparece no dia a dia
Dois exemplos ilustram como a bagagem profissional entra no uso da tecnologia. Um gerente financeiro pode pedir a uma ferramenta de IA o resumo de um relatório de 40 páginas e usar seu conhecimento do setor para conferir números e premissas. Um profissional de recursos humanos pode gerar o rascunho de uma descrição de vaga e ajustá-lo com base nas contratações anteriores da empresa.
Nos dois casos, a ferramenta acelera a primeira versão, e o repertório de quem a usa define o que é aproveitado e o que precisa ser corrigido.
O que os dados ainda não respondem
As pesquisas medem quantas pessoas usam IA, e não a velocidade com que cada grupo aprende. Os números citados também são de 2024 e vêm dos Estados Unidos e da Europa, sem recorte brasileiro. O que os levantamentos mostram é uma diferença de adoção por faixa etária, com indícios de que a experiência pode influenciar a qualidade do uso.
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