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Agentes de IA já consomem 5 vezes mais tokens que humanos, aponta OpenRouter

Sistemas que planejam e executam tarefas multiplicam as consultas aos modelos; maior volume não significa aumento proporcional nos custos

 (Unsplash/Reprodução)

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Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 13h01.

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Dados da OpenRouter mostram que agentes de inteligência artificial consomem quase cinco vezes mais tokens que as interações humanas diretas na plataforma. Esses sistemas consultam modelos repetidamente para planejar, executar e verificar tarefas a partir de um pedido. A comparação mede o volume de informações processadas, não a quantidade de usuários nem a produtividade alcançada.

Agentes de inteligência artificial já consomem quase cinco vezes mais tokens que pessoas na OpenRouter, plataforma que reúne acesso a diferentes modelos de IA. O consumo atribuído a esses sistemas cresceu cerca de 14 vezes desde fevereiro, segundo os dados da empresa.

Na prática, isso significa que os modelos processam mais informações em consultas feitas por programas que executam tarefas do que em interações humanas diretas.

Uma pessoa pede um trabalho; a partir daí, um agente de IA pode consultar o modelo repetidamente para planejar a execução, usar ferramentas, verificar resultados e corrigir erros. O usuário envia um pedido, mas o software gera muitos outros.

Os tokens são as unidades usadas pelos modelos para processar informações. Em texto, podem corresponder a palavras ou fragmentos delas. Tanto o material enviado à IA quanto a resposta produzida entram na contagem. Consumir mais tokens significa processar um volume maior desse conteúdo.

A comparação, portanto, não indica que existam cinco agentes para cada pessoa ou que esses sistemas sejam mais inteligentes. Por trás do trabalho automatizado também pode haver um usuário que iniciou a tarefa. O que muda é a quantidade de processamento que acontece depois dessa solicitação.

Uma pergunta pode virar uma sequência de trabalho

Um exemplo ajuda a entender a diferença. Se alguém pede a um chatbot que explique um erro de programação, pode receber uma resposta e encerrar a conversa.

Um agente encarregado de corrigir o problema pode ler arquivos, consultar o modelo, alterar o código e executar testes. Se o teste falhar, envia o resultado à IA para decidir o que fazer em seguida.

Cada etapa acrescenta informações à conta, mesmo que a pessoa não escreva outra mensagem. O agente pode reapresentar instruções, incluir novos resultados e solicitar outra decisão ao modelo. A resposta final ao usuário aparece depois dessa sequência de consultas.

Na série da OpenRouter, calculada com médias de sete dias, o consumo dos agentes ultrapassa o humano em 6 de fevereiro. O gráfico distingue agentes, pessoas e uso misto. Os números descrevem a atividade naquela plataforma, não todo o mercado de inteligência artificial.

A diferença de consumo também aparece em um levantamento separado da Anthropic, publicado em junho de 2025.

A empresa afirma que, em seus dados, agentes usam aproximadamente quatro vezes mais tokens em conversas com chatbots. Sistemas com vários agentes chegam a cerca de 15 vezes esse consumo.

Mais processamento não é sinônimo de mais valor

A expansão ajuda a explicar como a demanda por IA pode crescer sem depender de pessoas passarem mais tempo conversando com chatbots.

Um pedido para executar um trabalho pode desencadear várias consultas aos modelos, feitas pelo software em nome do usuário.

Isso também muda a conta. Tokens servem como referência de cobrança, mas seus preços variam conforme o modelo e o tipo de processamento.

Informações armazenadas em cache — e reaproveitadas nas consultas seguintes — podem custar menos que uma entrada nova. Assim, o volume processado e a despesa não precisam crescer na mesma proporção.

O reaproveitamento é relevante porque um agente pode trabalhar várias vezes sobre os mesmos documentos e instruções.

Ainda assim, tentativas adicionais e tarefas distribuídas entre vários agentes ampliam o consumo. A viabilidade depende do custo necessário para chegar ao resultado.

O gráfico registra atividade, mas não revela quantas tarefas terminam corretamente, quanto tempo economizam ou que retorno financeiro produzem.

A Anthropic afirma que sistemas com vários agentes precisam executar trabalhos cujo valor justifique o processamento adicional. A medida econômica decisiva é o custo da tarefa concluída, não apenas o número de tokens consumidos.


Perguntas frequentes

O que significa agentes consumirem mais tokens que pessoas?

Significa que as consultas feitas por agentes somam um volume maior de informações processadas que as interações humanas diretas na OpenRouter. A comparação não mede a quantidade de agentes ou de usuários.

O que são tokens de inteligência artificial?

São unidades usadas pelos modelos para processar informações. Em texto, podem corresponder a palavras ou fragmentos delas. O conteúdo enviado ao modelo e as respostas geradas entram nessa contagem.

Por que agentes de IA usam mais tokens?

Porque uma solicitação pode exigir várias consultas ao modelo para planejar, usar ferramentas, verificar resultados e corrigir erros. Essas etapas podem acontecer sem uma nova mensagem do usuário.

Mais tokens significam mais produtividade?

Não necessariamente. O volume mede processamento, mas não informa se a tarefa foi concluída corretamente ou se o resultado compensou o custo. Conteúdo reaproveitado em cache também pode ter cobrança menor.

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