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Por que o Brasil ficou de fora do hackathon com prêmio de US$ 35 mil da OpenAI

Nas regras oficiais do WebMCP Challenge, o país aparece na lista de quem não pode nem se inscrever nem receber prêmio — ao lado de China, Rússia e Cuba

André Lopes
André Lopes

Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 5 de setembro de 2026 às 14h08.

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A OpenAI encerrou na quarta-feira, 3, as inscrições do WebMCP Challenge, hackathon de dez dias com US$ 35 mil em prêmios, feito em parceria com Google Chrome, Cloudflare, Shopify, Vercel, Render e Netlify. Os dez melhores projetos levam US$ 3 mil em dinheiro, uma assinatura de um ano do ChatGPT Pro e créditos do Codex Micro, a ferramenta de programação por IA da empresa.

Só que, para o desenvolvedor brasileiro, o convite vem com uma letra miúda incômoda: segundo o regulamento oficial publicado na Devpost, o Brasil está na lista de países que não podem participar nem receber prêmio — ao lado de China, Hong Kong, Rússia, Crimeia, Cuba, Irã, Coreia do Norte, Síria, Venezuela e a província canadense de Quebec.

A explicação técnica está no próprio texto da regra: a elegibilidade é restrita a residentes de países que constam na lista de "países suportados" pelos serviços de API da OpenAI para fins de sorteio e premiação, uma lista distinta (e mais curta) da lista de países onde o ChatGPT funciona normalmente para qualquer usuário. O Brasil está fora dessa lista específica, provavelmente por exigências de compliance, tributação e risco jurídico que os patrocinadores do concurso preferem não assumir em determinados países, e não por avaliação sobre o mercado brasileiro em si.

Prova de que é um padrão, não um caso isolado: a mesma cláusula, quase palavra por palavra, já apareceu nas regras de um hackathon anterior da própria OpenAI, o "Build Week", meses atrás — também excluindo Brasil, Quebec, Rússia, Cuba, Irã, Coreia do Norte e Síria. É a exclusão padrão que a Devpost, plataforma que hospeda concursos de tecnologia no mundo todo, costuma aplicar por padrão a esse grupo de países, independentemente de quem seja o patrocinador.

O paradoxo: a OpenAI está investindo pesado no Brasil

É aí que mora a ironia. Enquanto o desenvolvedor brasileiro fica de fora do concurso global online, a OpenAI vem tratando o país como um de seus três maiores mercados no mundo, com centenas de milhões de mensagens trocadas por dia no ChatGPT.

A empresa formalizou recentemente um escritório em São Paulo e uma série de parcerias locais, incluindo o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), a Prodam (empresa de tecnologia da Prefeitura de São Paulo), o IMPA e o Hospital das Clínicas da USP, além de lançar por aqui ferramentas como o agente autônomo Operator.

Ainda assim, nada impede um desenvolvedor brasileiro de construir e submeter um projeto usando WebMCP, o padrão técnico que o hackathon celebra — apenas não poderá competir oficialmente pelo prêmio em dinheiro nem figurar como vencedor elegível.

Quem quiser aprender e testar a tecnologia sem mirar o prêmio pode acompanhar a documentação pública e o showcase de projetos de referência que a própria OpenAI disponibilizou, ou participar de hackathons locais, como os que já ocorreram em São Paulo com o mesmo tema de agentes de IA.

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