Inteligência Artificial

O que impede a OpenAI de escalar o ChatGPT como plataforma de compras

Empresa aposta em recursos de checkout, mas gargalo estrutural nos dados trava plano de incorporar um ecossistema comercial na ferramenta

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 18h14.

Em outubro do ano passado, a OpenAI anunciou o Instant Checkout, recurso que permite comprar produtos diretamente nas conversas do ChatGPT. A iniciativa deixou clara a intenção da empresa de transformar o chatbot em um ecossistema de compras e se posicionar à frente das concorrentes na disputa pela dominância da inteligência artificial.

Com a ferramenta, os usuários podem pedir recomendações e, quando o produto está habilitado a compra, ela pode ser concluída sem sair da conversa. O pagamento e a entrega são confirmados com poucos cliques e os outros trâmites — como a cobrança, envio e suporte — ficam sob responsabilidade do lojista. O recurso já está disponível para usuários dos planos Free, Plus e Pro nos Estados Unidos, com integração a vendedores do Etsy e uma promessa de expansão para mais de um milhão de lojistas da Shopify.

Para consolidar a estratégia, a OpenAI apostou no Agentic Commerce Protocol (ACP), um protocolo aberto desenvolvido em parceria com a Stripe e grandes varejistas, que possibilita às empresas e desenvolvedores criarem integrações sem alterar seus sistemas de pagamento e logística.

Descoberta de produtos

Em meio a essa inclinação para os negócios digitais dentro da IA, surgiram especulações — reveladas pelo site The Information — sobre uma possível aquisição do Pinterest pela OpenAI. Apesar de ainda não ter sido confirmada, a suposta movimentação foi recebida no mercado como parte de uma estratégia para reforçar a descoberta de produtos, imagens e inspirações dentro do ecossistema de IA.

Se as alegações forem verdadeiras, essa seria uma tentativa da OpenAI de controlar todo o processo do chamado "funil" do consumo digital — o processo que inclui desde a recomendação e descoberta de produtos até a conversão em vendas.

E o que está atrasando esse processo?

Mesmo com o lançamento do Instant Checkout, o recurso segue limitado a poucos mercados e, até o momento, só comporta vendas de item único, sem a possibilidade do usuário montar carrinhos e fazer várias aquisições de uma só vez. Ainda não há uma data certa para a expansão internacional e nem para a liberação total do sistema para os lojistas da Shopify.

Nesse sentido, a ambição de transformar o ChatGPT em plataforma de compras avança de forma mais lenta que o anunciado. Segundo o site The Information, o gargalo não está necessariamente nos modelos de IA, que já são capazes de recomendar e intermediar vendas, e sim na infraestrutura de dados do comércio eletrônico global, que não tem uma padronização.

Os catálogos dos milhões de vendedores apresentam diversos problemas, como nomenclaturas inconsistentes, atributos imprecisos, anúncios duplicados, informações de estoque desatualizadas, sem contar os preços que não são padronizados. Apesar da OpenAI tentar criar uma lógica para o fluxo de informações dos lojistas, uma parte do esforço depende também do trabalho operacional direto de cada comerciante, o que atrasa essa implementação.

Sem dados organizados e confiáveis, os modelos de IA não conseguem comprar produtos de diferentes vendedores, checar a disponibilidade do estoque em tempo real e confirmar os valores com precisão.

Para resolver esse gargalo, o setor estaria discutindo uma camada intermediária de infraestrutura — chamada pelo The Information de "grafo de contexto" — que atue entre os catálogos dos lojistas e os agentes de IA. Sua função seria, justamente, organizar, validar e atualizar os dados dos produtos antes deles serem usados em recomendações e transações.

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