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Nova divisão “Applied Evals” busca transformar modelos de IA em soluções práticas para empresas e redefine a disputa por talentos no setor (Getty Images). (Chris Jung/NurPhoto/Getty Images)
Editor de Inteligência Artificial e Tecnologia
Publicado em 16 de julho de 2026 às 15h12.
Última atualização em 16 de julho de 2026 às 15h14.
A valorização acelerada das empresas de inteligência artificial criou uma nova geração de funcionários multimilionários antes mesmo da abertura de capital dessas companhias. Na OpenAI, a concessão média de ações chegou a US$ 1,5 milhão para cada um de seus cerca de 5.000 empregados, segundo consultores financeiros ouvidos pelo Business Insider.
O enriquecimento não se limita a engenheiros e pesquisadores. Profissionais de áreas administrativas e de apoio também acumularam fortunas com a valorização das participações acionárias. Entre os casos citados está o de um chef, cozinheiro responsável pelos refeitórios da OpenAI, cujo patrimônio teria superado US$ 10 milhões.
O movimento começou antes mesmo de uma eventual oferta pública inicial de ações, conhecida pela sigla em inglês IPO, e que deve avaliar a empresa acima dos US$ 852 bilhões obtidos via rodadas de investimentos.
Segundo o Wall Street Journal, cerca de 75 funcionários da OpenAI se tornaram multimilionários no ano passado após venderem o limite máximo individual de US$ 30 milhões em ações. Eles faziam parte de um grupo de mais de 600 empregados que dividiu US$ 6,6 bilhões em um evento de liquidez, operação que permite a acionistas vender participações antes da abertura de capital.
A média da operação foi de aproximadamente US$ 11 milhões por participante. A consultoria SaaStr estima que a OpenAI já tenha criado mais de 300 “decamilionários”, pessoas com patrimônio de pelo menos US$ 10 milhões, mesmo sem ter ações negociadas em bolsa.
Na Anthropic, entre 100 e 200 funcionários teriam alcançado esse patamar após um leilão de ações concluído em abril. A transação avaliou a empresa em US$ 350 bilhões antes de seu aporte mais recente, segundo os dados citados.
A dimensão da riqueza acumulada aparece na comparação com outras aberturas de capital do setor de tecnologia. Na estreia do Google na bolsa, em 2004, o valor médio em ações concedido por funcionário equivaleria hoje a cerca de US$ 250 mil, considerada a inflação.
O montante corresponde a aproximadamente um sexto da média de US$ 1,5 milhão atribuída atualmente aos funcionários da OpenAI. A comparação foi publicada pelo Wall Street Journal e citada pela revista Fortune.
A consultoria imobiliária Redfin calcula que funcionários e ex-funcionários da OpenAI e da Anthropic detenham, juntos, cerca de US$ 198 bilhões em patrimônio líquido vinculado a ações. Em uma comparação hipotética, o valor seria suficiente para comprar quase um terço dos imóveis da região metropolitana de São Francisco.
Segundo as informações apresentadas, as duas empresas trabalham com a perspectiva de abrir capital ainda neste ano. A OpenAI buscaria uma avaliação próxima de US$ 1 trilhão, enquanto a Anthropic teria alcançado US$ 965 bilhões em sua rodada mais recente.
As companhias também teriam protocolado formulários S-1 na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos. O documento é utilizado por empresas que pretendem realizar uma oferta pública de ações no país.
Um dos poucos executivos que não deve receber uma fortuna diretamente das ações da OpenAI é o próprio presidente-executivo, Sam Altman. Ele não possui participação acionária na companhia e recebeu salário de US$ 76 mil em 2024.
O patrimônio pessoal de Altman, estimado pela Forbes em US$ 3,1 bilhões, teria origem em investimentos realizados em outras empresas, como Stripe, Reddit e Helion, companhia dedicada ao desenvolvimento de energia por fusão nuclear.
Em 2024, o executivo assinou o Giving Pledge, compromisso criado por Warren Buffett e Bill Gates pelo qual bilionários prometem doar ao menos metade de suas fortunas.
O movimento teria precedente recente na SpaceX. Segundo o texto fornecido, a abertura de capital da empresa, realizada em junho, criou entre 4.000 e 4.400 novos milionários entre funcionários e ex-funcionários, além de elevar o patrimônio de Elon Musk à marca de US$ 1 trilhão.