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OpenAI, do ChatGPT, avalia ceder fatia bilionária ao governo Trump

Ideia busca reduzir resistência política à IA e criar um modelo de participação pública nos ganhos da tecnologia

Sam Altman e Donald Trump: dono da OpenAI prevê fatia da empresa ao governo dos EUA (Julia Demaree Nikhinson / POOL/AFP)

Sam Altman e Donald Trump: dono da OpenAI prevê fatia da empresa ao governo dos EUA (Julia Demaree Nikhinson / POOL/AFP)

Publicado em 2 de julho de 2026 às 08h16.

A OpenAI, dona do ChatGPT, discutiu ceder uma fatia de 5% de suas ações ao governo dos Estados Unidos, em uma tentativa de superar obstáculos políticos ao garantir o apoio financeiro da administração de Donald Trump.

Segundo o Financial Times, a participação teria como base o valor de mercado da empresa, de US$ 852 bilhões, alcançado em uma rodada recorde de captação em março. Nessa conta, uma fatia de 5% valeria cerca de US$ 42,6 bilhões.

O presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman, tem defendido que dar ao público uma participação financeira na companhia é a melhor forma de compartilhar os ganhos gerados pela inteligência artificial (IA). Foi ele quem sugeriu uma fatia desse tamanho nas conversas iniciais com o governo, segundo o FT.

A proposta não se limita à OpenAI. O arranjo prevê que outras empresas americanas de IA entreguem participações semelhantes ao governo, embora não esteja claro se os demais laboratórios aceitariam a ideia. Entre as companhias que poderiam ser incluídas estão a Anthropic, criadora do Claude, além de Google e Meta.

A sugestão de Altman e de outros executivos da OpenAI é que cada uma das principais desenvolvedoras destine 5% de suas ações a um veículo semelhante ao Alaska Permanent Fund — um fundo soberano que investe a riqueza do petróleo do estado do Alasca em ações e paga dividendos ao governo local e aos residentes.

A pressão de Washington sobre a IA

O movimento tenta responder a um ambiente cada vez mais hostil para os laboratórios de IA na capital americana. A população e os políticos dos Estados Unidos vêm demonstrando preocupação com a construção de grandes data centers e com os efeitos da tecnologia sobre empregos e segurança cibernética.

Recentemente, tanto a OpenAI quanto a rival Anthropic tiveram o lançamento de seus modelos mais avançados barrado por escrutínio do governo, enquanto parte dos republicanos e assessores de Trump defende uma regulação mais rígida do setor. Ceder uma participação acionária poderia ajudar a assegurar boas relações com a administração.

Um caminho já testado com os chips

O governo Trump já adotou mecanismo parecido em outro setor. Depois de atacar publicamente o presidente-executivo da Intel, Trump passou a apoiar a fabricante de chips americana após o governo assumir uma fatia de 10% na empresa.

No caso da OpenAI, as conversas com o governo são descritas como "conceituais" e ainda em estágio inicial, e qualquer acordo poderia exigir uma lei aprovada pelo Congresso para ser implementado.

Altman tem tratado do tema diretamente com Trump, com o secretário de Comércio, Howard Lutnick, e com o secretário do Tesouro, Scott Bessent. O executivo também conversou, nas últimas semanas, com o senador democrata Bernie Sanders, que defende uma participação pública de perto de metade de cada empresa de IA.

A discussão não é totalmente nova.

Em abril, a OpenAI propôs a criação de um "fundo de riqueza pública" que daria a cada cidadão — inclusive os que não investem no mercado financeiro — uma participação no crescimento econômico movido pela IA.

Em maio, o braço sem fins lucrativos da empresa, a OpenAI Foundation, afirmou que, em um futuro liderado pela IA, a sociedade provavelmente precisará de novas abordagens que deem às pessoas participações duradouras nos sistemas que criam valor.

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