Colaboradora
Publicado em 27 de fevereiro de 2026 às 06h44.
A OpenAI contratou, na última semana, o cientista Ruoming Pang, antes cientista de inteligência artificial para os produtos da Meta. Pang também trabalhou na divisão de IA da Apple antes de se tornar funcionário da empresa chefiada por Mark Zuckerberg, onde ficou por sete meses. A informação é do The Information.
A movimentação ocorre em meio à crescente competição entre empresas que desenvolvem modelos de IA generativa, sistemas capazes de produzir texto, imagem e código a partir de grandes volumes de dados. O setor vive uma fase de consolidação de talentos, com empresas disputando especialistas que lideraram projetos estratégicos nos últimos anos.
Na Meta, Pang supervisionava iniciativas de inovação conduzidas pelo laboratório de superinteligência, área dedicada ao desenvolvimento de sistemas que, em tese, poderiam superar o raciocínio humano em tarefas complexas. O laboratório é liderado por Alexandr Wang, ex-CEO da Scale AI, startup especializada em rotulagem de dados para treinamento de algoritmos.
Em 2023, a Meta destinou US$ 78,4 bilhões a investimentos e esforços de expansão ligados à inteligência artificial, incluindo a contratação de nomes vindos da OpenAI e da Anthropic. Entre os profissionais recrutados estavam Trapit Bansal, Huiwen Chang e Ji Lin, todos com histórico em pesquisa avançada de IA.
Antes da Meta, Pang trabalhou na Apple, onde liderou o desenvolvimento de modelos para a Apple Intelligence, conjunto de recursos de IA generativa integrados ao sistema operacional da companhia. Segundo a agência Bloomberg, sua transferência para a Meta foi acompanhada de um pacote de remuneração que poderia chegar a US$ 200 milhões no longo prazo.
A nova movimentação reforça a chamada "dança das cadeiras" no setor de IA, em que executivos e pesquisadores migram entre empresas rivais em busca de protagonismo tecnológico e acesso a infraestrutura computacional de larga escala.
A disputa por especialistas como Pang está inserida em uma estratégia mais ampla das big techs para dominar o desenvolvimento de sistemas avançados de IA. OpenAI, Meta, Apple e Anthropic têm ampliado investimentos em centros de pesquisa e em capacidade de processamento, elemento essencial para o treinamento de modelos de larga escala, conhecidos como large language models, modelos de linguagem de grande porte.
Ao mesmo tempo, a rotatividade de lideranças expõe um mercado ainda em formação, no qual remuneração, acesso a dados e liberdade de pesquisa se tornaram variáveis centrais para atrair cientistas. O movimento de Pang para a OpenAI sinaliza que a empresa segue reforçando seus quadros técnicos em um momento de crescente pressão competitiva e regulatória sobre o setor.