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(AFP)
Repórter
Publicado em 9 de julho de 2026 às 14h04.
Última atualização em 9 de julho de 2026 às 14h07.
A OpenAI ampliou nesta quinta-feira, 9, o acesso à sua nova geração de modelos de inteligência artificial (IA), a família GPT-5.6. Em vez de um único modelo, a empresa dona do ChatGPT lançou três de uma vez — Sol, Terra e Luna —, cada um mirando um ponto diferente na balança entre inteligência, velocidade e custo.
A lógica da divisão é deixar o cliente escolher quanto quer gastar por tarefa.
O Sol é o modelo mais avançado, voltado às tarefas mais difíceis; o Terra é o intermediário, para o trabalho do dia a dia; e o Luna é o mais rápido e barato, pensado para grandes volumes.
A mudança vem com um novo sistema de nomes: o número indica a geração (5.6) e o nome identifica o nível de capacidade, que pode evoluir no próprio ritmo.
A novidade técnica mais relevante está no Sol, o carro-chefe.
Ele estreia um recurso chamado modo ultra, que abandona a lógica de um único raciocínio linear e passa a dividir uma tarefa complexa entre vários subagentes, que trabalham em paralelo antes de reunir os resultados.
Na prática, é como trocar um funcionário que resolve tudo sozinho por uma pequena equipe coordenada.
Segundo a OpenAI, esse desenho elevou o desempenho do Sol no Terminal-Bench, um teste de programação por linha de comando, de 88,8% para 91,9% no modo ultra.
OpenAI anuncia ChatGPT Work para criar documentos e planilhasO modelo também ganhou um ajuste de "esforço máximo de raciocínio", que lhe dá mais tempo para pensar antes de responder. Os números de desempenho, vale registrar, são reportados pela própria empresa e ainda carecem de verificação independente.
O trunfo comercial da família é o preço escalonado, cobrado por milhão de tokens — as unidades de texto que servem de base para o faturamento das IAs. O Sol custa US$ 5 na entrada e US$ 30 na saída, o mesmo valor do GPT-5.5. O Terra sai por US$ 2,50 e US$ 15, cerca de metade do preço do modelo anterior. E o Luna, o mais barato, custa US$ 1 e US$ 6.
O recado da OpenAI a quem já usava o GPT-5.5 é duplo: quem migrar para o Sol ganha um modelo melhor pelo mesmo preço, e quem levar o trabalho rotineiro para o Terra pode cortar o custo pela metade sem perder qualidade — ao menos segundo a empresa. É uma resposta direta à pressão dos clientes corporativos por eficiência.
"As empresas estão avaliando quanto investem em IA e qual retorno recebem. É esse o problema que queremos resolver", afirmou Sam Altman, presidente-executivo (CEO) da OpenAI, em entrevista à CNBC.
Segundo ele, o Sol é 54% mais eficiente no uso de tokens em tarefas de programação feitas por agentes — o que se traduz em contas menores no fim do mês.
O caminho até a liberação, porém, foi incomum. Anunciado no mês passado, o GPT-5.6 ficou semanas restrito a um grupo de cerca de 20 parceiros, a pedido do governo dos Estados Unidos, que quis avaliar os riscos do modelo em áreas como segurança cibernética e biologia antes de um lançamento em larga escala.
Altman afirmou ter trabalhado com integrantes da gestão de Donald Trump — entre eles o secretário de Comércio, Howard Lutnick — em um processo que descreveu como uma "colaboração de idas e vindas".
A Casa Branca, no entanto, negou ter dado "aprovação" ao lançamento, afirmando que não autoriza empresas privadas a liberar modelos e que a decisão cabe apenas a elas. A própria OpenAI já declarou que esse tipo de revisão governamental não deveria virar regra.
O lançamento chega no auge da competição entre as gigantes de IA. Também nesta quinta-feira, a Meta apresentou o Muse Spark 1.1, voltado à programação e a agentes; um dia antes, a xAI, de Elon Musk, lançou o Grok 4.5.
A Anthropic, criadora do Claude, reforça sua presença no mercado corporativo e passou, semanas atrás, por um episódio parecido, ao ter de suspender temporariamente seus modelos Fable 5 e Mythos 5 por uma ordem de controle de exportação, restabelecendo o acesso depois.