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Nos últimos vinte anos, minha carreira tem sido profundamente enraizada no campo da inteligência artificial (IA). Testemunhei sua evolução de um nicho tecnológico para uma força onipresente que remodela indústrias inteiras, a ponto de hoje ocupar a posição de Diretor de Inteligência Artificial aqui na EXAME, um cargo que jamais imaginei que fosse existir quando decidi fazer faculdade de engenharia de computação.

Recentemente, um desenvolvimento particular chamou minha atenção: o advento do Sora, plataforma de geração de vídeos por IA que promete revolucionar a maneira como criamos conteúdo visual.

A chegada do Sora representa um marco significativo, comparável ao impacto que o ChatGPT teve no processamento de linguagem natural. O Sora permite aos usuários gerar vídeos com uma simples descrição textual, prometendo resultados que rivalizam com gravações reais. Imagine digitar "um astronauta andando na lua" e, em questão de segundos, receber um vídeo que captura essa cena com um realismo impressionante. Esta é a promessa do Sora.

E como ficam os filmes?

A perspectiva de poder criar vídeos de alta qualidade com facilidade e rapidez é, sem dúvida, empolgante. No entanto, ao explorar as capacidades do Sora, não posso deixar de refletir sobre as implicações mais amplas dessa tecnologia. Outras ferramentas, como PIKA LABS, Runway ML e Leonardo AI, já exploraram a geração de vídeos por IA, mas o Sora eleva o padrão com vídeos mais longos e de maior qualidade. Isso nos leva a questionar: estamos diante do fim da indústria cinematográfica como a conhecemos?

Acho que "não". Acredito firmemente que a inovação tecnológica, incluindo a IA, não elimina indústrias; ela as transforma. O cinema, em sua essência, é sobre contar histórias, evocar emoções e conectar pessoas. Tais elementos não podem ser replicados por algoritmos, por mais avançados que sejam.

A criação de um filme envolve decisões artísticas e técnicas que vão muito além da simples geração de conteúdo visual. Iluminação, trilha sonora, expressões faciais e movimentos dos personagens são apenas algumas das nuances que dão vida a uma história. São decisões tomadas por uma equipe criativa, não por uma máquina ou uma pessoa sozinha escrevendo cenas.

A introdução de ferramentas como o Sora oferece novas oportunidades para os criadores. Em vez de ameaçar a indústria cinematográfica, a IA pode ser uma aliada, proporcionando aos diretores e roteiristas mais recursos para dar vida às suas visões. É possível que surjam novas especializações dentro da indústria, como produtores especializados em IA, que saberão integrar a tecnologia ao processo criativo de maneiras inovadoras.

O futuro das habilidades

Além disso, a discussão sobre IA e o futuro do trabalho é mais relevante do que nunca. Como coordenador do MBA em Inteligência Artificial para Negócios da EXAME, tive o prazer de gravar com Marcelo Coutinho, um renomado especialista em antropologia e sociologia. Juntos, abordamos a questão das habilidades humanas na era da IA.

Coutinho enfatizou que, enquanto a IA pode automatizar certas tarefas, as competências críticas e criativas permanecem exclusivamente humanas. Essa distinção é crucial em campos criativos como o cinema. A capacidade de questionar, de duvidar das próprias crenças e de trazer experiências de vida únicas para o trabalho criativo são atributos que a IA não pode replicar. 

Portanto, ao invés de ver a IA como uma ameaça, devemos encará-la como uma ferramenta poderosa que pode enriquecer nossa capacidade de contar histórias. A tecnologia pode nos ajudar a explorar cenários e visualizações que seriam impossíveis ou proibitivamente caros de se criar de outra forma. No entanto, a essência da narrativa e a emoção por trás dela permanecerão domínios humanos.

Ameaças reais

Finalmente, é importante reconhecer que a adoção de novas tecnologias traz desafios técnicos e éticos. A capacidade de gerar conteúdo visual convincente por IA abre questões sobre autenticidade, direitos autorais e a distinção entre real e artificial. Como sociedade, teremos que navegar por essas águas desconhecidas, estabelecendo diretrizes que equilibrem inovação com integridade e responsabilidade. Publiquei no Youtube um vídeo aprofundando essa discussão:

O surgimento do Sora e tecnologias similares é um momento definidor para a indústria criativa. Enquanto avançamos para uma era onde a IA se torna uma ferramenta cada vez mais central no processo criativo, é crucial lembrar o valor insubstituível da visão humana. O futuro do cinema, portanto, não está na substituição da criatividade humana pela IA, mas na colaboração entre humanos e máquinas para criar experiências cinematográficas que continuem a inspirar, emocionar e conectar pessoas em todo o mundo.

 

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