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Criado nos anos 1960, o ELIZA surpreendeu usuários ao simular conversas humanas décadas antes do ChatGPT (Ex Machina/Reprodução)
Redatora
Publicado em 11 de maio de 2026 às 05h02.
Muito antes da explosão da inteligência artificial generativa e de ferramentas como o ChatGPT, um programa desenvolvido nos anos 1960 já chamava atenção por sua capacidade de conversar com humanos.
Chamado ELIZA, o sistema foi criado pelo cientista da computação Joseph Weizenbaum no laboratório do MIT e ficou conhecido por provocar uma reação inesperada: algumas pessoas realmente acreditavam que estavam falando com outro ser humano.
Lançado em 1966, o ELIZA era um programa relativamente simples para os padrões atuais. Ele não “pensava”, não compreendia emoções e não possuía consciência.
Seu funcionamento era baseado em identificar palavras-chave digitadas pelo usuário e reorganizar frases para criar respostas que pareciam naturais.
A versão mais famosa do sistema simulava um psicoterapeuta. Em vez de responder diretamente às perguntas, o programa devolvia comentários e questionamentos ao usuário.
Se alguém escrevesse “Estou me sentindo triste”, por exemplo, o ELIZA poderia responder: “Por que você está se sentindo triste?”.
A estratégia criava a impressão de escuta ativa e fazia a conversa parecer mais humana do que realmente era.
O impacto causado pelo programa foi tão forte que surpreendeu o próprio Weizenbaum. Algumas pessoas começaram a desenvolver envolvimento emocional com o sistema e pediam privacidade para conversar com ele, mesmo sabendo que se tratava de uma máquina.
O pesquisador relatou posteriormente que ficou desconfortável com a rapidez com que usuários atribuíam sentimentos e compreensão humana ao software.
O fenômeno ajudou a revelar algo que continuaria presente décadas depois, com assistentes virtuais modernos: a tendência humana de criar conexão emocional com sistemas que simulam conversa.
A reação dos usuários acabou originando o chamado “efeito ELIZA”, termo utilizado para descrever situações em que pessoas atribuem inteligência, empatia ou compreensão humana a programas de computador, mesmo quando eles operam apenas por padrões automáticos.
O conceito continua atual em um cenário dominado por inteligências artificiais generativas. Hoje, ferramentas conseguem produzir textos sofisticados, manter contexto e responder de forma muito mais avançada do que o ELIZA jamais conseguiria.
Ainda assim, especialistas alertam que esses sistemas continuam funcionando por processamento de linguagem e padrões estatísticos, não por consciência ou emoções reais.
Apesar das limitações técnicas, o ELIZA se tornou um marco histórico da computação e da inteligência artificial conversacional.
O programa demonstrou, ainda nos anos 1960, o potencial das máquinas para criar interações que pareciam humanas e antecipou discussões éticas que continuam atuais, como confiança em sistemas automatizados, dependência emocional e os limites entre comunicação humana e tecnologia.
Décadas antes da popularização da IA generativa, o ELIZA já mostrava que uma conversa convincente nem sempre significa compreensão real, uma discussão que permanece no centro do debate tecnológico até hoje.