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Reuniões ineficientes aparecem como o principal obstáculo à produtividade no Work Trend Index 2023, da Microsoft (Khosrork/Getty Images)
Redatora
Publicado em 11 de setembro de 2026 às 05h01.
Quantas horas de uma semana de trabalho realmente ficam livres para escrever, analisar dados, preparar uma apresentação ou simplesmente pensar sem ser interrompido?
O Work Trend Index 2023, da Microsoft, encontrou um desequilíbrio importante: 68% dos entrevistados disseram não ter tempo suficiente de concentração sem interrupções durante o expediente.
O número não mede exclusivamente o excesso de reuniões, mas elas aparecem como uma parte relevante do problema.
No levantamento, reuniões ineficientes foram apontadas como o principal obstáculo à produtividade, enquanto ter reuniões demais ficou na terceira posição.
A pesquisa ouviu 31 mil pessoas em 31 países e também analisou sinais de produtividade do Microsoft 365.
Dados de uso dos aplicativos do Microsoft 365 mostraram que um profissional médio dedicava 57% do tempo à comunicação, categoria que reúne reuniões, e-mails e chats. Os outros 43% ficavam para atividades de criação em programas como Word, Excel e PowerPoint.
Entre os 25% de usuários com maior carga de reuniões, eram 7,5 horas semanais destinadas a elas.
O problema também está na qualidade desses encontros. Entre os participantes da pesquisa, 55% afirmaram que os próximos passos ao final de uma reunião eram pouco claros, 56% encontravam dificuldade para resumir o que havia acontecido e 57% consideravam difícil acompanhar a discussão quando entravam atrasados.
Outro dado ajuda a colocar a agenda em perspectiva: apenas 35% disseram acreditar que fariam falta na maioria das reuniões das quais participavam.
Ainda assim, muitos continuavam presentes porque viam esses encontros como uma maneira de obter informações necessárias para realizar o próprio trabalho.
Reduzir a sobrecarga começa antes de abrir a agenda. Uma reunião faz mais sentido quando há necessidade de discussão simultânea, tomada de decisão, negociação ou construção coletiva.
Atualizações de andamento, comunicados e compartilhamento de informações podem, dependendo da equipe, migrar para formatos assíncronos.
A própria Microsoft recomenda tratar reuniões como registros que podem ser consultados posteriormente, com recursos como gravações, transcrições e resumos.
Isso permite que determinadas pessoas acompanhem o conteúdo sem necessariamente reservar todo o período na agenda.
Também vale revisar quem realmente precisa participar. Definir previamente objetivo, pauta e resultado esperado ajuda a identificar convidados essenciais e reduz encontros em que parte dos participantes permanece apenas para acompanhar informações.
Recursos de inteligência artificial podem diminuir parte do trabalho criado ao redor das reuniões. O Microsoft 365 Copilot, por exemplo, pode auxiliar na recuperação de informações discutidas e na identificação de ações posteriores.
Em testes iniciais divulgados pela empresa em 2023, 86% dos usuários afirmaram que o Copilot facilitava recuperar o que haviam perdido, enquanto 84% disseram que a tecnologia tornava mais fácil agir depois de uma reunião.
Automatizar o resumo, porém, não corrige uma agenda mal planejada. A tecnologia pode reduzir o custo de acompanhar uma conversa, mas a decisão de cancelar encontros redundantes, proteger períodos de foco e estabelecer quando a comunicação assíncrona é suficiente continua sendo organizacional.
O relatório da Microsoft aponta justamente para essa disputa pelo expediente: quando reuniões, mensagens e e-mails ocupam a maior parte do dia, o problema se torna garantir que ainda exista tempo contínuo para executar o trabalho que motivou aquelas conversas.