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A Meta adquiriu a Manus no fim de 2025 por US$ 2 bilhões (Getty Images)
Redatora
Publicado em 11 de junho de 2026 às 12h55.
A Meta iniciou um processo para se desfazer da Manus, empresa de inteligência artificial comprada no fim de 2025 por US$ 2 bilhões. A companhia também interrompeu o compartilhamento de dados com a startup, segundo a Bloomberg, que citou pessoas familiarizadas com o assunto.
A decisão ocorre em meio à oposição da China à aquisição. Desde o início do mês, a Meta bloqueou o acesso da Manus e de seus funcionários a dados internos da operação americana da companhia. Empregados da big tech também foram orientados a não iniciar novos projetos com ferramentas da Manus e a migrar iniciativas em andamento para sistemas internos da Meta.
A controladora da Manus, a Butterfly Effect, foi criada na China, mas transferiu sua base para Singapura. Lançada em março de 2025, a Manus foi apresentada como um agente de IA capaz de executar tarefas complexas de forma autônoma, interpretando comandos, dividindo atividades, usando diferentes ferramentas e entregando relatórios.
No primeiro dia de funcionamento, a Manus registrou um milhão de usuários e passou a ser vista como uma das promessas do setor de IA. A compra pela Meta foi uma das maiores da história da empresa americana, atrás apenas de WhatsApp e Scale AI, segundo a investidora ZhenFund.
Em abril, a China proibiu a aquisição após reguladores investigarem possíveis violações das regras de investimento de Pequim. A Meta, então, concordou em se desfazer da companhia. Ainda não está claro qual será o formato da separação nem quais serão os próximos passos das empresas envolvidas.
No mês passado, os três fundadores da Manus —Xiao Hong, Ji Yichao e Zhang Tao— começaram a discutir uma captação de recursos para superar os US$ 2 bilhões pagos pela Meta e recomprar a startup, informou a Bloomberg.
Enquanto isso, funcionários da Manus foram deslocados para escritórios da Meta em Singapura. Investidores da empresa, como Tencent, ZhenFund e HSG, já receberam suas parcelas referentes à aquisição.
Também em abril, Pequim estabeleceu que empresas chinesas de tecnologia só podem receber investimentos dos Estados Unidos com autorização explícita de órgãos reguladores do país. A medida aumenta o controle estatal sobre negociações envolvendo capital americano em setores considerados estratégicos.
A disputa ocorre no contexto da competição entre China e Estados Unidos pelo domínio da inteligência artificial. O presidente chinês, Xi Jinping, trata a tecnologia como prioridade nacional e como uma área decisiva para a posição do país na economia global.
Outras companhias do setor também passaram a sentir os efeitos da regulação. A Moonshot AI avalia abrir capital em bolsa com valuation estimado em US$ 18 bilhões. A StepFun, startup de modelos de linguagem, considera uma oferta de US$ 500 milhões. Já a ByteDance ainda precisa chegar a um acordo com empresas americanas para manter o TikTok em operação nos Estados Unidos.