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O paradoxo do Trump Phone: nacionalista por fora, taiwanês por dentro

Análise aponta semelhanças internas entre o T1 e o U24 Pro, lançado pela taiwanesa HTC em 2024

O T1 foi lançado em maio deste ano prometendo um aparelho "orgulhosamente americano" (Reprodução)

O T1 foi lançado em maio deste ano prometendo um aparelho "orgulhosamente americano" (Reprodução)

Ramana Rech
Ramana Rech

Redatora

Publicado em 11 de junho de 2026 às 13h00.

Última atualização em 11 de junho de 2026 às 14h00.

O smartphone T1, lançado pela Trump Mobile, parece ser uma versão do HTC U24 Pro, modelo apresentado pela taiwanesa HTC em 2024, segundo análise do engenheiro Shahram Mokhtari. A avaliação foi publicada nesta semana e comparou a estrutura interna dos dois aparelhos.

O T1 foi anunciado em maio deste ano. À Reuters, Pat O’Brien, CEO da Trump Mobile, afirmou que os aparelhos seriam os primeiros dispositivos montados nos Estados Unidos e que a empresa poderia lançar, no futuro, um smartphone com a maior parte dos componentes produzida no país.

Segundo Mokhtari, a semelhança pode ser explicada pelo uso de um ODM, sigla em inglês para Original Design Manufacturer, fabricante responsável por projetar e produzir dispositivos para outras marcas.

Na avaliação dele, o U24 Pro provavelmente usou um fornecedor chinês desse tipo sem adquirir exclusividade sobre o design, o que teria permitido o reaproveitamento do projeto no T1.

Algumas caixas do U24 Pro trazem a etiqueta “produzido na China”, segundo o The Verge. Fora das grandes empresas de hardware, como Apple e Huawei, é comum que fabricantes de celulares recorram a ODMs para desenvolver e fabricar seus aparelhos.

Ao abrir e escanear os dois celulares, Mokhtari afirmou que a parte interna dos modelos é quase exatamente a mesma. O formato, a disposição dos componentes, a posição dos parafusos e até os lacres antiviolação coincidem, segundo o engenheiro.

A semelhança também apareceu na placa-mãe. De acordo com a análise, a placa do HTC funcionou no T1, indício de que os dois aparelhos usam a mesma base eletrônica. Ambos contam ainda com o SoC, sigla para System on Chip, da Qualcomm Snapdragon 7 Gen 3.

Diferenças aparecem na memória e na bateria

Apesar da estrutura semelhante, há diferenças em alguns componentes. O encapsulamento que reúne memória e armazenamento não é o mesmo: o U24 Pro usa pacote da SK Hynix, enquanto o T1 utiliza Micron, com 12 GB de memória e 512 GB de armazenamento.

Para Mokhtari, essa diferença não muda substancialmente a conclusão da análise. Ela pode estar ligada a limitações da cadeia de suprimentos, aos efeitos de tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ou a outros motivos considerados corriqueiros pelo engenheiro.

A principal diferença identificada por Mokhtari está na bateria: o T1 tem 19,35 Wh, enquanto o HTC U24 Pro tem 17,23 Wh. O carregamento também muda. O T1 oferece 30 W, enquanto o modelo da HTC chega a 60 W.

O engenheiro também questionou a ficha técnica do T1, que informa tela de 6,78 polegadas. Para ele, o painel parece idêntico ao do U24 Pro, de 6,8 polegadas, embora possa haver uma pequena diferença que não foi possível medir.

Montagem nos Estados Unidos depende de critérios regulatórios

O site da Trump Mobile descreve o T1 como um produto de “performance premium, orgulhosamente americano” e com “design orgulhosamente americano”. A formulação evita afirmar diretamente que o aparelho é integralmente produzido nos Estados Unidos.

Nos EUA, a Comissão Federal do Comércio regula o uso de alegações como “feito nos Estados Unidos”. Pelas regras citadas pelo The Verge, para um produto ser considerado fabricado no país, seus componentes precisam ser substancialmente produzidos ali, o que encareceria significativamente um celular.

A regra é menos objetiva quando a alegação envolve montagem. Para que um produto seja considerado montado nos Estados Unidos, os critérios passam por uma montagem principal e substancial no país, ponto que pode se tornar central para a forma como a Trump Mobile apresenta o T1 ao mercado.

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