Inteligência Artificial

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Meta desistiu de medir funcionários pela quantidade de IA. O que isso ensina sobre produtividade?

Mudança nos critérios internos da companhia expõe os limites de usar consumo de inteligência artificial como indicador de desempenho no trabalho

Meta reviu orientações internas após funcionários relatarem pressão para demonstrar alto uso de ferramentas de inteligência artificial (Meta/Divulgação)

Meta reviu orientações internas após funcionários relatarem pressão para demonstrar alto uso de ferramentas de inteligência artificial (Meta/Divulgação)

Publicado em 9 de setembro de 2026 às 06h01.

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Durante meses, funcionários da Meta tiveram um incentivo curioso: mostrar que estavam incorporando inteligência artificial ao trabalho.

O consumo de tokens, unidades usadas para processar informações em modelos de IA, chegou a alimentar rankings internos e virou uma maneira visível de demonstrar adesão à tecnologia.

O resultado foi um comportamento conhecido dentro da empresa como “tokenmaxxing”: usar IA intensamente para elevar as próprias métricas. Agora, a companhia está recuando dessa lógica.

Novas orientações para avaliações de desempenho retiraram referências ao “uso de IA” e à classificação “AI Native”. Segundo a WIRED, engenheiros também foram informados de que painéis de adoção e contagens de tokens não serão utilizados para avaliar impacto.

A Meta afirma que a contribuição dos funcionários sempre foi o critério central das avaliações.

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Quando a métrica vira o objetivo

O episódio ajuda a mostrar um problema de gestão que antecede a inteligência artificial: medir uma atividade é diferente de medir o resultado produzido por ela.

Tokens indicam quanto um sistema de IA foi acionado e processou conteúdo. Um funcionário pode consumir milhares deles tentando resolver uma tarefa simples, enquanto outro pode recorrer à tecnologia poucas vezes e economizar horas de trabalho.

A quantidade, isoladamente, não informa se houve ganho de produtividade, melhora de qualidade ou redução de custos.

Na Meta, funcionários relataram à WIRED que colegas chegaram a enviar comandos que consideravam desnecessários para aumentar suas métricas internas de utilização.

Um funcionário criou até um ranking de consumo de IA, com classificações como “Token Legend”; o painel foi retirado depois que sua existência se tornou pública.

O incentivo, portanto, podia favorecer justamente o comportamento que a medição deveria ajudar a compreender: usar mais IA, independentemente da necessidade.

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O que medir no lugar da quantidade de IA

Para empresas que estão introduzindo ferramentas generativas, o caso sugere uma distinção importante entre adoção e produtividade. Número de prompts, tokens consumidos ou frequência de acesso podem ajudar a entender se uma tecnologia está sendo testada, mas dizem pouco sobre seu efeito no trabalho.

Indicadores ligados ao resultado oferecem uma leitura mais útil. Uma equipe pode comparar, por exemplo, o tempo necessário para concluir determinadas tarefas antes e depois da adoção da IA, a quantidade de retrabalho, a incidência de erros ou o volume de entregas realizadas mantendo um padrão de qualidade.

Também é preciso considerar a natureza da função: um desenvolvedor que utiliza um assistente de programação diariamente e um gestor que recorre a um chatbot duas vezes por semana podem estar extraindo valor da tecnologia de maneiras diferentes. 

Meta não abandonou a IA no trabalho

A mudança nas avaliações não representa um recuo da Meta no desenvolvimento ou no uso interno da tecnologia. Funcionários estão testando o Hatch, agente de IA capaz de navegar pela web e operar outros aplicativos no computador. 

Há ainda preocupações entre trabalhadores sobre privacidade, erros e o volume de recursos computacionais consumidos pelo agente. Alguns evitam conectar contas pessoais de e-mail e calendário ao sistema.

A experiência deixa uma diferença relevante para outras empresas que pretendem incentivar a adoção de IA: acompanhar se funcionários estão experimentando uma tecnologia pode ser útil durante sua implementação.

Vincular desempenho profissional diretamente à quantidade utilizada cria outro incentivo. A pergunta mais informativa passa a ser o que melhorou depois da adoção e se o ganho pode ser demonstrado.

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