Inteligência Artificial

IA vai forçar metade das empresas a adotar "confiança zero" em dados até 2028

Consultoria Gartner diz que o crescimento acelerado do número de informações geradas por IA sem verificação deve contribuir para movimento

Marina Semensato
Marina Semensato

Colaboradora

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 14h53.

Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 15h15.

Até 2028, metade das empresas em todo o mundo deverá adotar uma postura de zero trust (confiança zero) para a governança de dados, segundo projeção da Gartner. O crescimento acelerado de dados não verificados gerados por inteligência artificial (IA) será o impulsionador desse movimento.

A consultoria parte do princípio de que os grandes modelos de linguagem (LLMs, na sigla em inglês) são treinados com dados extraídos de diversas fontes — como livros, artigos, páginas na web e pesquisas científicas. A questão é que uma parcela dessas fontes já contém conteúdos gerados por IA.

A Pesquisa de Executivos de TI e Tecnologia da Gartner de 2026 aponta que a maioria (84%) dos entrevistados espera que suas empresas aumentem os investimentos em IA generativa neste ano. Com mais recursos destinados a essas iniciativas, o volume de dados gerados por IA deve crescer ainda mais.

Como resultado, modelos mais recentes tendem a ser treinados com base em dados gerados por versões anteriores, ou seja, pela própria IA. A Gartner alerta que esse ciclo, ao reduzir a diversidade das fontes e elevar o risco de respostas distorcidas, cria condições para um "colapso do modelo".

Existem também as implicações regulatórias. O cenário deve aumentar o número de exigências legais para comprovar que determinados dados são "livres de IA" em algumas regiões, embora as regras variem entre jurisdições.

Nesse cenário fragmentado, a capacidade de identificar, rotular e rastrear dados gerados por IA se torna um requisito central, e é aí que entra a governança zero-trust.

A consultoria destaca que práticas de gerenciamento de metadados, que seriam os detalhes das informações, como a origem e contexto de aplicação, serão um diferencial competitivo.

Estratégias

Para evitar riscos associados aos dados não verificados gerados por IA, a Gartner recomenda uma série de ações estratégicas. Entre elas está a nomeação de um líder de governança de IA, responsável por políticas de confiança zero, gestão de riscos e operações de conformidade, junto às equipes de dados e análises.

Outra orientação é promover a colaboração interfuncional, reunindo áreas para conduzir avaliações abrangentes de risco e identificar lacunas nas políticas atuais. A consultoria também recomenda atualizar regras de segurança, ética e metadados para aproveitar estruturas existentes de governança de dados.

Por fim, a Gartner reforça a adoção de práticas ativas de metadados, capazes de gerar alertas em tempo real quando informações estiverem desatualizadas ou precisarem de revisão, para reduzir a exposição de sistemas críticos a dados imprecisos ou enviesados.

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