Ao todo, 105 milhões de passageiros circularam pelos aeroportos brasileiros em cerca de 784 mil voos em 2025. (Greg Bajor/Getty Images)
Repórter de Invest
Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 15h11.
Última atualização em 29 de janeiro de 2026 às 15h27.
Se você enfrentou longas esperas em aeroportos brasileiros em 2025, não está sozinho — e isso pode representar um direito a compensação financeira, conforme estabelece a Resolução nº 400 da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).
Um levantamento da AirHelp, empresa global especializada em direitos de passageiros, revelou que mais de 2,2 milhões de passageiros teriam direito a solicitar indenizações de até R$ 10 mil.
O grupo inclui quem sofreu com cancelamentos ou atrasos superiores a duas horas, com base em critérios de elegibilidade nacionais e internacionais. No último ano, cerca de 18,5 milhões de pessoas enfrentaram algum tipo de interrupção em suas viagens no Brasil, segundo dados exclusivos enviados à EXAME.
Apesar de o número de passageiros afetados ser alto, houve uma melhora tímida no setor: o total de pessoas impactadas caiu cerca de 7% na comparação com 2024, quando quase 20 milhões de viajantes tiveram problemas. Essa redução foi puxada principalmente pela queda no número de cancelamentos, que passou de 4,1 milhões em 2024 para 2,7 milhões em 2025.
O Brasil registrou, ao todo, 105 milhões de embarques em 784 mil voos em 2025 aproximadamente, o que significa que 18% de todos os passageiros da aviação comercial brasileira tiveram que lidar com algum imprevisto no cronograma. Como é o caso dos atrasos com mais de duas horas, que impactaram a programação de 982 mil pessoas neste ano.
A AirHelp também faz um "raio-x" de onde as questões de aviação funcionaram melhor e onde o passageiro mais sofreu. O Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, o mais movimentado do país, com mais de 21 milhões de passageiros, foi o que mais apresentou problemas: 22% das operações sofreram atrasos e 1,2%, cancelamentos.
| Aeroporto | Passageiros que partiram | % pontuais | % atrasos | % cancelados |
|---|---|---|---|---|
| São Paulo Guarulhos | 21.354.000 | 77% | 22% | 1,2% |
| São Paulo Congonhas | 10.509.000 | 84% | 14% | 2,6% |
| Rio de Janeiro Galeão | 7.263.000 | 84% | 14% | 2,5% |
| Brasília | 6.924.000 | 88% | 10% | 1,5% |
| Campinas Viracopos | 6.631.000 | 81% | 17% | 2,5% |
| Belo Horizonte | 6.339.000 | 82% | 16% | 2,2% |
| Recife | 4.422.000 | 83% | 15% | 2,3% |
| Porto Alegre | 3.491.000 | 84% | 13% | 3,3% |
| Salvador | 3.288.000 | 85% | 12% | 3,3% |
| Rio de Janeiro Santos Dumont | 3.068.000 | 85% | 10% | 5,8% |
| Curitiba | 2.959.000 | 83% | 14% | 3,2% |
| Fortaleza | 2.522.000 | 86% | 13% | 1,8% |
| Florianópolis | 2.213.000 | 82% | 14% | 4,8% |
| Belém | 1.959.000 | 84% | 14% | 2,2% |
| Goiânia | 1.675.000 | 83% | 13% | 3,5% |
| Vitória | 1.596.000 | 84% | 12% | 3,8% |
| Manaus | 1.394.000 | 83% | 14% | 3,6% |
| Cuiabá | 1.122.000 | 84% | 13% | 3,2% |
| Maceió | 1.066.000 | 84% | 12% | 3,6% |
| Porto Seguro | 1.046.000 | 84% | 13% | 3,0% |
| Navegantes | 998.000 | 83% | 12% | 5,8% |
| Natal | 952.000 | 84% | 14% | 2,1% |
| Foz do Iguaçu | 951.000 | 82% | 16% | 1,4% |
| São Luís | 855.000 | 83% | 14% | 4,0% |
| Campo Grande | 717.000 | 85% | 13% | 2,4% |
Já o aeroporto de Brasília foi o mais pontual do ano, com 88% de decolagens dentro do prazo. Outras cidades como Fortaleza, Campo Grande, Salvador e o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, contaram com índices de pontualidade na casa dos 85% ou 86%.
Ao comparar mais de uma rota, a diferença é gritante. Se você viajou de Palmas para Goiânia, provavelmente não teve do que reclamar, já que essa foi a rota mais pontual do país, com 97% de aproveitamento. Já quem tentou atravessar o Atlântico saindo de Guarulhos com destino a Munique, na Alemanha, enfrentou o pior cenário de atrasos, afetando 61% dos passageiros.
| As 10 rotas mais pontuais | ||
|---|---|---|
| Rota | Total de passageiros | % de pontualidade |
| Palmas (PMW) para Goiânia (GYN) | 41.000 | 97% |
| Campo Grande (CGR) para Curitiba (CWB) | 16.000 | 96% |
| Palmas (PMW) para Belo Horizonte (CNF) | 34.000 | 96% |
| Salvador (SSA) para Maceió (MCZ) | 52.000 | 96% |
| Fortaleza (FOR) para São Luís (SLZ) | 71.000 | 96% |
| João Pessoa (JPA) para Salvador (SSA) | 35.000 | 95% |
| Rio de Janeiro Galeão (GIG) para Roma Fiumicino (FCO) | 49.000 | 95% |
| Rio Branco (RBR) para Brasília (BSB) | 83.000 | 95% |
| Cruzeiro do Sul (CZS) para Rio Branco (RBR) | 25.000 | 95% |
| Manaus (MAO) para Fortaleza (FOR) | 97.000 | 95% |
Para quem voa na região Norte, a rota entre Porto Velho e Rio Branco foi a campeã de cancelamentos, deixando 22% dos viajantes na mão em 2025.
| As 5 rotas com mais atrasos | ||
|---|---|---|
| Rota | Total de passageiros | % de atrasos |
| São Paulo Guarulhos (GRU) para Munique (MUC) | 16.000 | 61% |
| Campinas Viracopos (VCP) para São Paulo Guarulhos (GRU) | 12.000 | 58% |
| Campinas Viracopos (VCP) para Porto (OPO) | 20.000 | 52% |
| Rio de Janeiro Galeão (GIG) para Porto (OPO) | 26.000 | 52% |
| São Paulo Guarulhos (GRU) para OR Tambo (JNB) | 68.000 | 43% |
Se você pretende planejar suas próximas férias, vale ficar atento ao calendário. Dezembro foi o mês mais crítico de 2025, com 31% dos passageiros sofrendo algum tipo de interrupção. O dia 10 de dezembro, especificamente uma quarta-feira, foi o pior dia do ano para voar no Brasil, com 69% dos voos registrando problemas.
| Os 5 dias mais pontuais | Os 5 dias mais afetados | ||
|---|---|---|---|
| Data | % de passageiros em partidas pontuais | Data | % de passageiros afetados por atrasos ou cancelamentos |
| Sábado – 13 de setembro | 94% | Quarta-feira – 10 de dezembro | 69% |
| Quarta-feira – 05 de março | 93% | Quinta-feira – 11 de dezembro | 68% |
| Terça-feira – 04 de março | 93% | Segunda-feira – 22 de setembro | 54% |
| Domingo – 02 de março | 93% | Sexta-feira – 12 de dezembro | 51% |
| Sábado – 15 de novembro | 93% | Terça-feira – 09 de dezembro | 50% |
Por outro lado, o mês de março foi o período de maior tranquilidade nos céus brasileiros, com 13% de passageiros impactados. Só que, para quem teve a viagem interrompida, a recomendação da AirHelp é sempre verificar os direitos, pois milhões de brasileiros deixam de receber o que lhes cabe por falta de informação.