Inteligência Artificial

IA vai criar mais empregos do que tirar, diz CEO da Nvidia em Davos

Jensen Huang afirma que inteligência artificial não elimina trabalho e defende adoção em países em desenvolvimento

Jensen Huang: CEO da Nvidia falou em Davos sobre empregos e IA (FABRICE COFFRINI / Colaborador/Getty Images)

Jensen Huang: CEO da Nvidia falou em Davos sobre empregos e IA (FABRICE COFFRINI / Colaborador/Getty Images)

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 08h22.

Última atualização em 21 de janeiro de 2026 às 09h57.

Para Jensen Huang, CEO da Nvidia, a inteligência artificial (IA) não eliminará empregos, mas impulsionará a criação de novas funções em larga escala. Em sua fala no Fórum Econômico Mundial, em Davos, Huang afirmou que a tecnologia representa a maior infraestrutura já construída, o que exigirá grandes volumes de mão de obra para ser implementada.

"A IA não vai tomar os empregos. Essa é a maior infraestrutura construída na história, o que vai criar muitos empregos. A IA aumenta a produtividade. A questão é qual é o propósito de seu emprego e como ele pode se tornar mais produtivo porque foi automatizado", afirmou.

Uma nova plataforma tecnológica

Huang destacou que a IA representa uma mudança estrutural semelhante à introdução dos PCs, da internet, da nuvem e do mobile. Para ele, a diferença é que agora o software não segue apenas instruções fixas — trata-se de um sistema capaz de “entender informações não estruturadas e racionalizar sobre o que fazer sobre o que foi enviado”.

"Pela primeira vez, temos um computador que não foi pré-gravado, mas atua em tempo real", explicou.

Segundo Huang, é importante compreender a IA como uma plataforma com cinco camadas: energia, chips, infraestrutura, modelos e aplicação. "Não se esqueça que, para os modelos funcionarem, todas as camadas precisam funcionar também", disse. Ele também ressaltou que “os modelos de IA avançaram tanto, e até mais do que a camada de aplicação, que é a mais importante”.

Avanços recentes e uso global

Para Huang, três avanços tecnológicos marcaram o último ano: a evolução dos modelos, os modelos abertos e o progresso da IA física. Segundo ele, os modelos passaram de curiosos para sistemas capazes de realizar pesquisas e raciocinar sobre temas diversos. A disponibilização de modelos abertos — como os da DeepSeek — permitiu aplicações específicas em empresas e setores, enquanto a IA física passou a compreender “não só a linguagem, mas a natureza”.

A acessibilidade da tecnologia também foi enfatizada. “A IA também é muito fácil de usar e por isso é a que mais cresce. Em apenas dois ou três anos já está sendo usada por três milhões de pessoas”, afirmou.

Países em desenvolvimento devem adotar

Huang defende que a IA deve fazer parte da infraestrutura de todos os países. “Você pode importar IA, mas não é algo difícil de criar, você pode criar modelos que sejam o ideal para cada país. Faça com que a inteligência nacional seja parte de seu ecossistema”, disse.

Para países em desenvolvimento, a recomendação é clara: “Devem construir suas infraestruturas, adotar a IA e entender que é algo acessível e fácil de usar. Estou otimista em relação ao potencial da IA para ajudar países emergentes.”

Demanda real e expansão global

Huang também rejeitou a ideia de que a IA esteja em uma bolha. "Um bom teste para saber se a IA é uma bolha é reconhecer que a Nvidia agora tem milhões de chips na nuvem e se você tentar alugar um GPU da Nvidia, será algo bastante caro", afirmou. Segundo ele, os preços estão subindo por causa da forte demanda: “O número de empresas de IA sendo criadas ou de empresas que estão adotando modelos de IA está aumentando”.

Para sustentar esse crescimento, Huang vê um desafio duplo. "Precisamos de mais energia, precisamos de mais trabalhadores capacitados", disse.

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