Apesar dos altos investimentos, funcionários relatam baixo retorno prático do uso de IA do cotidiano (Getty Images)
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Publicado em 22 de janeiro de 2026 às 10h00.
A inteligência artificial está dividindo opiniões nas empresas. Apesar do discurso de executivos sobre ganhos de produtividade, a maioria dos funcionários afirma que a IA economiza pouco ou nenhum tempo no trabalho diário.
A conclusão é de uma pesquisa da consultoria Section, realizado com 5.000 trabalhadores de grandes empresas nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá, divulgada pelo Wall Street Journal.
De acordo com a pesquisa, 40% dos profissionais que não ocupam cargo de gestão acreditam que não economizam tempo com recursos de IA. Apenas 2% dos funcionários de alto escalão pensam da mesma forma.
Por outro lado, 43% dos executivos afirmam economizar entre 8 e 12 horas semanais ou mais com a ferramenta, enquanto somente 12% dos trabalhadores relatam ganho de tempo nessa mesma faixa.
Segundo a Section, a percepção geral sobre IA varia conforme o nível hierárquico nas empresas. Cerca de 70% dos funcionários dizem se sentir ansiosos ou sobrecarregados com a tecnologia, enquanto gestores se mostram divididos entre preocupação e otimismo. Já entre os diretores e vice-presidentes, mais de 60% têm uma visão positiva, proporção que sobe para 80% entre os C-Suite.
Vale dizer que a maioria dos entrevistados relatou usar IA para tarefas básicas, como substituir a busca do Google ou gerar rascunhos. Um número menor de pessoas a utilizava para atividades mais complexas, como análise de dados ou programação.
Impulsionado pela promessa de automação e ganho de produtividade, o setor de inteligência artificial recebeu aportes trilionários em 2025 — segundo a consultoria Gartner, eles somaram US$ 1,75 trilhão no ano passado e devem saltar para US$ 2,52 tri em 2026.
Apesar do alto volume, os aportes contrastam com a percepção de baixo retorno de muitos funcionários, que relatam sobrecarga, incerteza e retrabalho ao incorporar a ferramenta às suas rotinas.
Essa avaliação aparece em um relatório da Workday, em que 85% dos 1.600 trabalhadores entrevistados afirmaram economizar entre uma e sete horas semanais com IA. Essas horas, no entanto, foram compensadas pela necessidade de revisar respostas e corrigir erros gerados pelos sistemas.
A diferença entre investimento e resultados também se reflete no financeiro. Em pesquisa da PricewaterhouseCoopers apresentada nesta semana no Fórum Econômico Mundial, em Davos, apenas 12% dos CEOs disseram que a IA gerou benefícios tanto em custos quanto em receita. Mais da metade dos quase 4.500 executivos ouvidos disse não ter observado impacto relevante até agora.